quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Autobiografia temporária de um guerreiro


"Bellissimo, è bellissimo. Spero che mi sentirai, ti voglio bene e tu lo sai. È un sentimento che  ho nascolto ormai. È bellissimo, bellissimo, bellissimo"

Alessandra Amoroso - Bellissimo

Um pouco de cada coisa. Um pouco de tudo que vivemos, essa mistura de uma infinidade de universos que penetram nosso próprio interior e nos tornam quem somos. Algo que acontece com todos, dia após dia, segundo após segundo e transforma quem somos pela perspectiva daquilo que fomos. Isso compõe nosso efêmero presente, nosso "ser" e, acima de tudo, transforma a maneira como enxergamos a realidade. No meu caso, infinitos universos conectaram-se ao meu próprio e engrandeceram-no, expandiram-no até limites que jamais imaginei serem tangíveis. E num esforço absolutamente emotivo, desejo, do fundo da minha alma, agradecer a todos esses universos que tanto me ajudaram a construir quem sou hoje, o homem que me tornei. Sim, estou falando de vocês, de todos os seus próprios universos que se colidiram com o meu e o mudaram para todo o sempre.
Antes, uma coisa pequena, poucas estrelas, quase nenhuma galáxia; eu aos meus 13 quase 14 anos. Esse era eu, o garoto adotado que assistia novelas mexicanas do SBT e ficava conversando com sua vó sobre qual seria o fim da Paola Bracho na história toda. Esse que assistiu Alegrifes e Rabujos, A Menina do Vestido Azul, O Diário de Daniela, Maria do Bairo, A Madrasta, Rubi e tantas outras que a memória agora, às 4h da manhã, não me permite lembrar. Esse que ouvia "Glamurosa", "50 Cent" e achava que estava arrasando com seu tênis cinza da Red Nose, mal sabendo cantar as músicas em inglês que tocavam na Jovem Pan - porque a Rádio Mix veio bem depois pra mim. Esse mesmo garoto que se sentia péssimo por não conseguir uma namorada, por ser BV, que se achava gordo e feio demais pra conquistar qualquer pessoa, que apanhava quase todos os dias - religiosamente - dos seus colegas de classe. Aquele menino que ainda se chamava Vinicius da Silva - para o qual cantavam a música da Xica da Silva - por não ter tido sua adoção liberada pelo cartório ainda e sofria muito por se achar diferente demais dos outros. Bem aquele garoto que era chamado de "Bolão", "Dumbo", "Viado", "Cabeça de pinto", "Bixa", "Cabelo ruim" e que chegou a levar uma bola de papel alumínio no olho só pra ter sua córnia riscada e ter que gastar mais de 60 reais numa pomada pra resolver uma quase possível cegueira. Esse que, em suma, era um nada no meio de uma multidão de pessoas aparentemente crescidas. 
Aos 14 anos, no entanto, uma novela mudou a vida desse pré-adolescente que chorava por amar meninas lindas demais para ele. Rebelde foi comprada pelo SBT e, desde o primeiro episódio, ele se apaixonou perdidamente pelos personagens e a trama. Ensaiou passos de dança e até rabiscou no papel o esboço de um espanhol deturpado só pra cantar junto com a abertura da novela. Daí em diante, esse menino passou a ser inspirado por aquilo e, um belo dia, decidiu montar um grupo cover da banda originada na novela. Ele e seu companheiro de aventuras no videogame durante tardes de pão com queijo derretido, servido pela mulher que mais me faz falta hoje, decidiram escrever uma carta e mimiografá-la, convidando pessoas que tivessem aquele interesse em comum a se juntarem à nossa fantasia juvenil. Lucas, obrigado por ter me ajudado a distribuir cartas pela vizinhança, tocar campainhas e sair correndo pra depois esperar pacientemente por uma resposta. 
Após longas tentativas, apenas uma carta e três pessoas surgiram para debater o assunto. Mirella, Giovanna e um outro garoto que não lembro o nome, hahaha. Depois veio mais gente, como a Priscila, Danilo, Mariana e Bruna. O grupo foi formado e o maior sonho desses jovens era conseguir se apresentar no Programa do Gugu, na tentativa de ter uma chance de conhecer os membros do RBD. Hoje eu lembro e rio disso... bons tempos, havemos de concordar. O funk continuou na vida desse garoto, mas agora ele ouvia um grupo que falava sobre amor, sobre a vida, sobre crescer e se impor, sobre ser quem você realmente é. Mas, como o tempo voa e leva em suas asas muitas coisas, o grupo foi se desfazendo - não sem antes ter ensaiado aos fins de semana durante meses, saído na rua com gravata e roupas da novela e tirado algumas fotos vergonhosas (passado sempre condena, não é mesmo?!). Isso sem mencionar os relacionamentos e a perda do meu BV - finalmente! - com uma das garotas da "banda" - e com um dos garotos também, hahaha (perdão por isso, Giovanna). 
O menino agora começava a pensar que não gostava só de meninas, afinal rapazes tinham um corpo atraente, vozes fortes e belos sorrisos. Ainda assim, lhe foi muito difícil admitir esse seu lado e ele chegou a colocar um elástico em seu pulso para puxá-lo e se machucar toda vez que pensasse em garotos. Sabe como é. Berço evangélico, o pastor te dizendo indiretamente que seu destino é o inferno caso você não se converta e a importância de entregar sua vida a Jesus pra ser liberto desses desejos demoníacos. É, eu tinha Lúcifer dentro de mim e dele não conseguia me livrar, mesmo me ajoelhando, jejuando e fazendo campanhas de oração. Muito choro, desespero e frustração até que ele largasse a igreja e fosse viver sua vida como achava que devia. A bruxaria - olha o "Diabo" de novo, hahaha - se apoderou dele e o garoto se tornou Wicca. Wicca meia boca, mas era o nome que poderia ser dado àquilo que ele teoricamente seguia. 
Ele então entrou num curso preparatório para os exames das ETECS e, num belo dia - numa bela aula de Geografia com um professor que lhe deixava louco de tesão - Piero e mais uma garota foram falar de como era o processo avaliatório. Mas, no meio de toda a falação, algo capturou sua atenção de uma forma arrebatadora; havia uma escola, perdida no meio do Brás, onde homossexuais não só eram aceitos, como também trocavam beijos e carícias no meio do pátio, quadra, salas de aula e onde mais fosse possível - só não me pergunte se no banheiro também, hahaha. Não possuo essa informação, hahaha. Tiro certeiro: Carlos de Campos, mais conhecida como KK, era sua meta de ensino médio. Federal e Liceu que fossem pras picas; o garoto queria era deixar aflorar seu lado gay. 
Bem, como de praxe, ele não deixou de ser zoado pelo seu então cabelo lambido, artificialmente alisado, e seu boné inseparável que quase lhe cobria por completo os olhos. Seu medo de pessoas ainda era gigantesco e tudo isso só fez aumentar tal sensação. Ainda assim, ironias da vida o levaram a fazer amigos naquele lugar, amigos que caminhariam com ele por três anos em meio a aulas de Matemática em que mal se ouvia o professor e uma professora de Educação Física mais velha que minha mãe e avó juntas. Sem contar o carrasco professor de História e a louca que insistia em me chamar de Willian - porque Willian e Vinícius são os maiores exemplos de homônimos na Língua Portuguesa, claro. De qualquer forma, Andreza Godoy, Luana Iversen, Sidney Fernandes e Bruna Alves se tornaram um grupo inquebrável. Desentendimentos vieram, logicamente, mas a conexão entre os cinco permaneceu do início ao fim, oscilando entre forte, mediana e fraca. Mas o garoto perdido, o nada, de repente era o centro do quinteto, aquele que conectava todos e nunca - ou quase nunca - brigava com alguém. Tudo seguiu muito bem em meio a corredores, danças de Para Para e partidas de UNO durante as aulas de Física - ah, e trabalhos de História infindáveis no Centro Cultural, hahaha. Os três melhores anos da minha vida!
No entanto, em 2008 esse garoto teve uma crise de taquicardia e foi parar no hospital, pensando que ia morrer e já discando mil números pra se despedir de todas as pessoas até agora mencionadas. Seu coração voltou ao normal em algumas horas, mas, em compensação ele e a mente inverteram papéis; esta começou a trabalhar a mil e acabou forçando o outro a ocasionalmente acompanhá-la. Resumo da ópera: foram noites incontáveis de hospital, desesperos noturnos e questões existenciais bombardeando seu pensamento o tempo todo. Ele havia quase morrido - pelo menos assim pensava - e isso pusera em cheque a vida que até então vivera. Quem era ele? De onde havia vindo? Pra onde iria? Existia um Deus? O que era realidade? Qual era sua real identidade? Existia vida após a morte? E o inferno do qual tanto haviam lhe falado existia mesmo? Se sim, quão horrendo seria ele? Será que Jesus o aceitaria mesmo sendo gay? Seria melhor largar aquela vida, voltar pra igreja e esquecer toda aquela caminhada? O quê fazer diante das situações em que era publicamente exposto? Como dizer "não"? Como falar com as pessoas? O que elas pensavam dele? Será que ele era ridículo? Quão burro ele era? Quão incapaz de ser como os outros? De onde o Universo surgira? O que fazíamos aqui, qual era o propósito da vida em si? Ainda assim, ele conseguia por tudo isso de lado momentaneamente pra se masturbar três ou quatro vezes - até 11, numa noite específica - assistindo pornô gay. 
Bem, desnecessário dizer que pra um adolescente de 16 anos tantos questionamentos e escassas respostas geraram alguns transtornos psicológicos. O primeiro foi a Síndrome do Pânico, a qual ele preferiu não tratar. Tomou 30 dias de calmante e decidiu lutar por si próprio, sem um psicólogo pra ajudá-lo a superar o trauma. Mas nada mais seria o mesmo dali em diante. Uma nova pessoa estava nascendo e isso remexia o interior desse rapaz como nada houvera feito até o momento. Seu desespero só crescia e ele passou a ouvir Epica, Nightwish e muito Evanescence pra aliviar - ou intensificar - a confusão em que seu espírito se encontrava. Depressivo, pelos menos aparentemente, e emo (embora não se considerasse como tal). Os meses se passaram, as crises diminuíram, porém os reflexos em seu psicológico continuaram com ele. Quão difícil era estar naquele caos interno contínuo e torturante, sem saber pra onde ir, a quem recorrer, qual conselhor seguir, quem se tornar. Aliás, era ele alguém mesmo? De carne e osso, como os outros? Não sei dizer...
Fato é que ele passou a viver numa montanha-russa emocional. Uns dias bem, outros mal. Muita disposição e, subitamente, vontade de não fazer coisa alguma. Choro e riso ao mesmo tempo. Frieza e carência jogando xadrez uma com a outra. Mais coisas aconteceram - vamos tentar não fazer desse texto um livro, por favor, hahaha - e ele, no fim de 2009 conheceu um garoto que mudou sua vida. Até então, a sexualidade não era um fator resolvido para Vinicius, mas seu amor por ele foi tão grande que nem os 2913 quilômetros que os separavam e amores antigos mal resolvidos foram capazes de detê-los. Depois de 4 meses, conheceram-se pessoalmente e foi simplesmente mágico. Depois de 15 dias, se despediram e a saudade atacou como um machado numa árvore capenga. Mas 4 meses depois eles se veriam novamente e, dessa vez, ficariam, teoricamente, para sempre juntos. Tanto é verdade, que acabaram juntando as escovas de dente e passaram a dividir uma improvisação de cama de casal na casa de Vinicius. Todavia, por razões que nem Freud explica - aliás, deixo aqui minha expressa preferência pelos behavioristas em oposição aos freudianos - o casal eternidade acabou se separando. E isso aconteceu gradualmente, mas o "divórcio" só foi ser consumado em meados de 2011. E por que isso? 
Vejamos, à epoca Vinicius estudava Letras na USP, trabalhava como professor de inglês e quis procurar uma psicóloga para ajudá-lo com algumas questões básicas (organização dos dias e coisas do tipo). Irônica decisão depois da recusa dessa mesma ajuda em 2008. Freudiana que era - meu "trauma" agora fica claro, creio -, a mulher passou a querer investigar meu passado e revirar tudo que fosse possível dentro de mim. Deu-me mais questões e, lembremos aqui a questão dos questionamentos, as respostas tornaram-se ainda mais escassas.
É de senso comum que jogar Merthiolate na ferida faz com ela arda mais ainda, mas pelo menos evita-se o proliferamente de bactérias e uma possível infecção. Comigo, no entanto, a quantidade - ou qualidade - de Merthiolate não foi o bastante; a ferida começou a doer mais, mais, mais e mais até se tornar quase insuportável e o que outrora fora um simples corte deu origem a uma hemorragia infindável. Depois de ter terminado o namoro, pensado em fugir pra outra cidade, feito planos suicidas, ver sua auto-estima quase eliminada, mal tomar banho ou sair de casa, chorado frequentemente, quase pedido demissão do emprego e ter se convencido de que era uma merda em absolutamente todos os aspectos de sua vida, Vinicius decidiu implorar à sua terapeuta que o encaminhasse a um psiquiatra. Ela não curtiu muito a idéia, mas acatou o pedido. Fui ao "médico dos loucos" e na mosca: estava com Depressão Moderada. Ah, esqueci de falar que faltei mais de dois meses na faculdade e, portanto, não atingi metas de presença ou mesmo fiz as provas de três matérias. Da minha grade de quatro estudos, apenas em um consegui passar (com uma nota ridícula de 6,6).
Os remédios prescritos pelo especialista começaram a surtir efeito e eu fui, pouco a pouco, me levantando. Por outro lado, não corri atrás das coisas que havia perdido e volta e meia retomava os pensamentos acima citados. Ainda assim, havia certamente melhorado um pouco à base de Cloridrato de Sertralina e Rivotril. Mais tempo se passou, Vinicius ingressou num curso de teatro e as coisas caminharam relativamente bem. Os problemas, no entanto, persistiram, ainda que reduzidos, e sua tristeza era constante e se alternava com estados de intensa alegria, auto-confiança e gastos abusivos. Resultado: novo diagnóstico. Vinicius não era Depressivo, era Bipolar. Os medicamentos mudaram e ele acrescentou Lamutrigina à sua dose diária de reguladores de humor. 
Tudo ficou um pouco melhor, então. Mas nada dura pra sempre, bem sabemos disso. Os sintomas voltaram, o psiquiatra viajou e não deu mais notícia de sua existência e o garoto bipolar teve outra crise. Apesar de ter retomado os estudos na faculdade, voltou a faltar às aulas e planejou novamente seu suicídio. A tristeza se fez ainda mais presente, a melancolia virou sua melhor amiga e Lost in Paradise, do Evanescence, seu hino matinal, diurno e noturno. Só que dessa vez, o menino tomou a atitude de fumar pra tentar aliviar a pressão de tudo aquilo. Um dia, faltou a uma reunião de seu trabalho por ter dormido das 3 da manhã às 5 da tarde. Teve vontade de quebrar todos os móveis da casa, alucinou com imagens de sangue, corpos sendo dilacerados na sua frente, vozes falando em sua cabeça e aproveitou-se de suas longas unhas pra arranhar suas pernas o máximo que conseguisse (queria fazer o mesmo com os braços, mas ficaria visível demais e choveriam perguntas sobre o que havia acontecido). Doeu a auto-mutilação, mas ele gostou da sensação. Cinco minutos depois, começou a rir sozinho e decidiu que queria ir de táxi para o trabalho. Não queria ver ninguém e metrô/ônibus - em sua mente - eram coisa de pobre. Ele tinha mil reais em sua conta, podia muito bem pagar um motorista só pra levá-lo até seu trabalho. Na maior felicidade do mundo, foi ouvindo músicas super alto-astral e chegou na escola com a desculpa de uma dor de estômago que lhe acometera por volta das 13h. Ao chegar em casa naquele dia, chorou muito por ter sentido medo de si mesmo, medo do que estava se tornando.
Havia quase perdido as esperanças e seu hino passara a ser Pulsos, da Pitty. Ele ainda guardava seus pulsos pra saída de emergência. Mas a vida, cheia de reviravoltas, trouxe até ele uma recepcionista de seu próprio local de trabalho que havia sido secretária de um psiquiatra conhecido. A recomendação caiu bem e na sexta-feira, 5/08, ele foi à sua consulta às 8h da manhã na Vila Mariana. Dr. Luiz Giometti, se a alguém interessar, hahaha. Batata: Transtorno Bipolar Tipo 2. Fases de euforia com tendência depressiva. Medicação dobrada (Lamutrigina quadruplicada) e as coisas finalmente se ajeitaram. Desde esse dia - bem recente, não?! - o mundo ganhou outro aspecto. Vinicius passou a ser um ser real, consciente de suas capacidades. Fez planos: vai seguir no teatro, fazer Dramaturgia, estudar brevemente Psicologia, cursar Direção e se tornar Dramaturgo/Diretor. Pôs sua rotina e sono em dia (exceto por hoje, pois já são 5:55 da manhã e ele ainda está acordado). Agora sabe que é um bom professor e até capaz de chorar de alegria, dizer o que realmente pensa, impor sua opinião, passar 50 minutos no telefone com alguém que ele ama muito e realizar simples tarefas que antes lhe eram um peso enorme - talvez mais pesadas que o peso de Atlas. 
E o que quis dizer com tudo isso? Bem, depois de escrever esse texto e ter fumado 7 cigarros (vou parar um dia, prometo!), Vinicius vai se deitar e acordar para um dia a mais, mais um dia pra mudar tudo aquilo que o fez se sentir mal um dia. Vinicius vai acordar para mais um dia continuar a lutar, continuar a se manter firme e correr para o seu futuro como uma águia em busca de sua presa. Vai guerrear, assumir a posição que sempre lhe coube, mas foi tão difícil de assumir: a posição de guerreiro. E hoje, depois de acordar, continuarei a escrever em minhas ações, pensamentos e emoções essa autobiografia. A autobiografia temporária de um guerreiro que aprendeu a não desistir, a não perder a esperança e que, finalmente, pode sorrir do fundo de seu coração, chorar nos braços de sua mãe e agradecê-la por tudo que fez por mim. 
Dedico a todos vocês, meus companheiros de luta, essa breve história do meu "eu" que praticamente acabou de nascer. Obrigado por estarem sempre comigo, mesmo que apenas no meu coração. Sem vocês eu não estaria aqui, sem vocês eu não teria conseguido. Sem vocês eu morreria na guerra, sem ao menos tentar sobreviver a ela. Meu mais profundo e sincero obrigado e agora vamo que vamo, porque todos somos guerreiros e temos muitas batalhas a vencer!

Ah, e eu achei uma psicóloga behaviorista EXCELENTE! Hahahaha, adeus Freudianos, pelo menos por enquanto ;)


Trilha sonora do texto:
Alessandra Amoroso - Ama Chi Ti Vuole Bene/Bellissimo
Snow Patrol - Chasing Cars/Run/Signal Fire
P!nk - Glitter In The Air/Who Knew
Adele - Hometown Glory
Beyoncé - I Was Here
Avril Lavigne - Innocence/My World
Jessie J - Nobody's Perfect/Who You Are
Birdy - People Help The People
Enigma - Prism Of Life/Return To InnocenceFlorence + The Machine - Shake It Out
Pitty - Temporal
Capital Inicial - Primeiros Erros/Tudo Que Vai





domingo, 1 de julho de 2012

Meio-termo

Sou um muro, um muro em cima de outro muro. Se a incerteza causo, ela também sou. Um misto de descrença e fé, algo entre o céu e o inferno. O elo perdido que conecta a perversão à santidade. Não me chamem de bom, pois meus pensamentos escondidos, lacrados e enclausurados, desfazem qualquer bondade. A maledicência não me toma por natureza, mas seus traços em minhas ações se passam por sutis. Se disseres ser eu a pureza, respondo-lhe que puros são teus olhos, inocentes demais para ver os chifres por detrás da auréola. Nem branco, nem preto: o cinza me agrada mais. Se dou dois passos adiante, penso em recuar três e estanco por não saber pra onde ir. A luz insiste em invadir minhas trevas, mas estas, por sua vez, tão teimosas quanto a primeira são. Se desfazem por segundos e tomam conta por minutos. Uma década pretendo respirar, nunca um segundo ou um milênio. Quisera eu sorrir de felicidade; a tristeza, porém, me faz mais alegre. Minha lágrima até não sabe se escorre pelo rosto ou retorna ao olho. Meu suor se atemoriza diante do mundo, mas odeia demais meu corpo para nele ficar. Abutres que me ceifem, de mim um estupendo jantar façam! Não garanto, todavia, encher-lhes o estômago. Ficarão mais indecisos se saciados estão ou se por mais anseiam.
Aliás, talvez indecisão seja meu nome. 8 e 80 não me pertencem, antes fico com o meio. Um meio-termo extremista, que não cede nem perde. Não ganha, nem empata. Não morre, nem vive. Apenas é, apenas me faz. Apenas faz o "eu" que sou. Eu que meio é, resistente demais para ser pouco ou muito. O meio que jamais andou, o termo que na metade do caminho parou.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Evanescer

Sangrou a última gota,
um coração já vazio,
uma melodia já oca,
sem ritmo, sem maestro.
Sem maestro, sem batida.
Não como a chuva a se debulhar,
e sim como uma lágrima escondida,
daquelas que não ousam se mostrar.
Um dia, uma noite, mil e uma noites
ele esperaria, mas hoje não é dia.
Hoje não é uma noite, menos ainda mil e uma.
Segue a estrada, seu coração já de pedra,
escuro, sem luz como a noite a guiá-lo.
Seus fantasmas a persegui-lo,
medos dele tentando arrancar.
Mas já não é mais o mesmo;
sua melodia secou e morreu.
Sangrou, como sangra a vida,
como sangra o que tem vida.
Como gela o frio da morte,
congelou, endureceu, mais que pedra virou.
E hoje não se acha mais seu sol,
seu sol que brilhava sem fim.
A luz se apagou, as nuvens nublaram seu céu,
nublaram seu ser.
Morrem mil, nasce um.
Evanescem todos antes do cair da noite,
todos que luz um dia tiveram.
Sangra a última gota,
cessa a música, apaga-se o fogo,
morre a batida e bate o coração sua última vez.
Dali em diante, só rochas,
pois rochas não sangram.

domingo, 30 de outubro de 2011

O maior arquiteto

Há um tempo demoli uma casa. Já havia lhe consertado as paredes, ajeitado as janelas, remodelado todo o interior e ainda assim a visão não me agradava. Parecia-me, àquele momento, um tanto espaçosa demais, meio sem identidade, perdida num mar de confusões e cores deslocadas. Faltava-me pouco descontentamento para que finalmente a pussesse abaixo. O sentimento foi-me completado e a atitude tomada quando veio-me à mente a idéia de outra construção.
Essa nova casa seria menor, com espaços um tanto mais estreitos, um jardim à sua frente e pinturas mais vivas. Tencionava eu enchê-la de alegria para que pudesse aos outros também fazer sorrir. Se tão boa me parecia, tanto difícil quanto bela também se tornava. Mas pus-me a erguê-la. Tijolo sobre tijolo, dia após dia. Semanas ensolaradas de esforço e exaustão, com pouca ou nenhuma pausa pra alguma reflexão. Ao cabo de 40 dias eu a havia concluído.
Reluzia, brilhava e se entregava ao sol como se entregam os amantes ao seu desejo pelo outro. Não lhe fiz muita propaganda a princípio, posto querer admirá-la e retocá-la aos poucos sem que tais coisas fossem influenciadas pela opinião alheia. E gostei, confesso. Gostei, na verdade, parece-me palavra pouco justa à intensidade do que senti; amei-a, seria melhor dizer. Amei-a com meu ser, deixei minha alma por ela - mas também para ela - vibrar. E foi ela, então, tudo para mim. Não esperava a retribuição do sentimento, logicamente; casas não amam. Pode até ser que o façam, mas nunca lhes demos bocas para que o falassem.
Alguns dias se foram até que eu finalmente a trouxe a publico. "Que obra divina!", diziam as mulheres. "Muito bem planejada!", homens da área concordavam. "Quero passar meus últimos anos aqui!", por fim os mais avançados em idade afirmavam. E todos a amavam, a todos ela conquistava, assim como a mim também fizera ao vê-la acabada. Engraçado como as paixões chamam-se fugazes apenas após terem-se ido.
Plantei as primeirais flores e vi em minha mente o belíssimo jardim que ali havia de se desenvolver. Maravilhoso e imponente em sua pequenez e simplicidade. No entanto, algo começava a soar-me estranho. Uma voz trazida aparentemente pelo vento dizia-me não ser aquela casa algo tão bom; contrariava, entretanto, meu coração, que a ela se doava e em sua homenagem ainda prestava elogios. Eu ignorava ambos e me atia a prosseguir meu trabalho. Sem muito pensar, sem muito pestanejar.
Aconteceu que um mês após tal episódio a voz do vento já não mais me soprava aos ouvidos, mas ao coração; este, por sua vez, contaminava-se com a blasfêmia proferida contra a edificação e abstinha-se de sentir o mesmo amor que outrora lhe fora tão inevitável. Eu ignorava agora aquilo que havia ignorado antes e atia-me a pensar, sem muito trabalhar, se a escolha de construí-la fora tão acertada quanto me parecera logo de início. Talvez o vento estivesse correto. Talvez as pessoas tivessem sido iludidas pelo novo, talvez eu mesmo houvesse me deixado persuadir por tanta novidade. A casa não era bela, afinal. Sentei-me, pensando quando a destruiria, pois não me parecia boa idéia tentar remendá-la. Soneto não era, certamente, mas assim como se faz poesia eu também a fizera.
Para a obra não chamei ninguém. Fui-me sozinho, descalço e, dessa vez, sem rumo fixo. Chegando-me frente a ela agachei-me e observei. Vieram-me de súbito os motivos pelos quais deveria destruí-la. Seus espaços eram demasiadamente estreitos, aquele jardim não era tão atraente e as cores vivas cegavam os olhos. Tanta alegria me parecia despropositada. Melhor era fazer uma outra, maior, mais larga, com uma pintura mais fria e possivelmente menos convidativa. Quiçá uma que se assemelhasse mais àquela que antes dela viera. O descontentamento foi-me então completado e a atitude, tomada.
No dia seguinte já não havia tijolo sobre tijolo, apenas ruínas, escombros coloridos. O céu estava nublado e eu iniciara a construção do que viria a ser a próxima casa. Não demoraria muito, cria eu, para que eu a vislumbrasse em sua concretude. Chamaria uma vez mais muita gente para contemplá-la e amá-la juntamente a mim.
O tempo se passou, eu a terminei e depois também a demoli. Demoli muitas outras que com muito ou nem tanto esforço construí. Meus amores por elas variaram em sua duração, mas sempre tiveram a mesma intensidade. Arrebatando-me por segundos ou meses, faziam-me vivo por aqueles instantes. Hoje tenho uma cidade inteira feita de entulho. Às vezes a acho feia e dela quero fugir, mas há momentos em que a amo como se fosse tudo que eu tivesse. Talvez a vida seja assim mesmo, talvez precisemos quebrar e construir, sem nunca parar, até achar uma casa que não derrubaremos. Uma casa que nos verá cair, que estará lá no dia de nossa demolição e resitirá, mais que nós, à impetuosa voz do vento. Uma casa que permanecerá até que alguém a ache desnecessária e, no seu lugar, resolva derrubá-la.

domingo, 23 de outubro de 2011

Uma escrava fugidia.

Não queria me deixar embalar. Não queria me deixar pertencer, menos ainda ser pertencido. Queria só caminhar sem minhas barreiras ou os empecilhos de outrem. E acreditei ser capaz. Acreditei no que me diziam meus guias interiores, ano após ano construídos com aqueles minúsculos blocos formadores dos sonhos. Eles sempre me disseram uma coisa quando o mundo me mostrava outra. Tão enganados quanto eu, pobres infelizes.
No fim da estrada soube por uma voz externa que o mundo é assim mesmo. Tudo que nos conquista, nos amarra. Tudo que deprezamos nos liberta. Pois desprezei minha vida então, se assim me viria de bom grado a liberdade. Mas não veio. Em seu lugar mandaram a agonia, o pesar e a lamentação. Talvez os sentimentos também tenham suas amarras, suas limitações e não possam andar por aí e se atirar em quem bem entenderem. Pensaram ser livres e usaram poetas crentes na liberdade para assim mostrarem-se ao mundo. Tão enganados quanto eles, pobres infelizes.
E a hesitação optou - ou foi ordenada - por fazer morada em mim. Achei ser a indecisão alguma forma de liberdade. Se todos escolhem, não preciso eu também fazê-lo. Isso me soou, por breves instantes que agora não sei precisar, como aqueles ventos de liberação da alma dos quais tanto nos falam. Mas senti então serem talvez os mesmos que a Enéias naufragaram e agora tencionavam levar-me junto. Desobedientes que eram, embora ainda subjugados às suas próprias ambições. Tão enganados quanto todos, pobres infelizes.
Tentei esvaziar-me, mas percebi que o vazio era tão preenchedor quanto a plenitude. E parei de julgar. Só entendi que o amor não me libertaria, pois junto a ele vinha o apego. O ódio tampouco me parecia saída, pois me forçaria a não gostar. O gostar me pareceu duvidoso; não era intenso como o amor - pelo menos assim me haviam ensinado -, mas não te largava sem deixar sequelas. Sequelas de comportamento ou de falta do mesmo. E nada mais me pareceu liberdade, posto ter tudo o seu lado oposto.
E me vi no espelho, este infeliz objeto obrigado a refletir mesmo aquilo que não lhe apraz. Vi os outros no espelho. Vi o mundo num espelho, pequeno, guardado dentro de um quarto escuro. Tão infelizes todos nós, pobres escravos. Escravos da química, da biologia, do universo, do planeta, dos outros, de nós mesmos. Escravos do ideal utópico da liberdade. Libertos apenas na utopia que nos escraviza. Por ela matamos, por ela morremos. Por ela sorrimos, por ela choramos. Dela nascemos, mas a ela talvez não voltemos. Uma escrava fugidia, que vive para nos servir e escravizar.
Tudo que nos conquista, nos amarra. Tudo que desprezamos nos liberta. Melhor consertar essa parte. 


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma queda eterna

You fall. You fall and you wonder. You wonder if it will ever stop. Maybe you will fall forever, endlessly screaming in silence, waiting for someone to reach out a hand for you to hold. But no one ever came, no one will ever come. You realize this is your fate, falling forever and never being able to help yourself. I guess I'm not gonna change at least not now, not before I die. But if I'm doomed to this I should consider keep on living. Is it a good choice? Actually, way more appropriate than asking 'bout "considering" something would be speaking of possibilities. So, is it possible to keep on living?
Disappearing would be a good way out of this situation. A good way out of myself. In fact, the problem is who I am, who I've created inside of this body. This fucking confused, crazy, unstable and not realiable creature that lives inside this matter. The matter will disappear and will then take away these scars. I don't want them anymore. I don't wanna face myself in the mirror anymore. It only increases the pain, it only hurts more and more and I can find no cure for my disease. Day by day, I live but I'm not happy. I didn't ask for this, I didn't ask for existing. That was not my choice. So why am I forced to bear a choice that wasn't mine in first place?
It's a difficult decision but I swear to God I see no other solutions. I don't have any strenght left to rise up and keep fighting. And I just can't find it anywhere though I've searched for a whole life.
I'm just so lost. There's no light waiting for me in the end of this huge, scaring tunnel. There's only darkness, fear and sorrow. It's a cycle which I can't follow anymore.

sábado, 1 de outubro de 2011

Olhos fechados (Parte 1)


Correu. Foi-se em direção à porta na maior velocidade que conseguiu atingir, mas o tempo, ao que parece, naquele dia não se inclinara à bondade. Seu relógio já lhe alertava sobre o atraso e agora o metrô tratava de revolver o problema momentaneamente enterrado. Parou a poucos, contáveis centímetros do trem e bufou. Não é possível que meu dia esteja desse jeito. Hoje a sorte resolveu virar a cara para mim, pelo visto.
         Aparentemente enganara-se, pois as portas do vagão abriam-se novamente à sua frente. “Não segure as portas do trem. Isso provoca atraso em todo o sistema”. Ok, isso não vira ninguém fazer, mas já que aquela mesma sorte, há até alguns segundos distante e impassível, agora girava um pouco o rosto para o lado a fim de lançar-lhe um olhar de soslaio era melhor que aproveitasse a deixa e adentrasse logo o veículo.
         Pelo menos isso, pelo menos isso. Sentou-se ao lado de uma criança inquieta que rolava seus dois carrinhos pela janela. “Mãe, mãe, o azul é mais rápido, olha!”. A mulher dirigiu ao garoto um sorriso, fingindo se importar mas lembrando a si mesma de que o marido ainda não voltara de seu passeio da noite retrasada. “Onde estará, meu Deus? Como pode sumir assim? Será que o canalha me trocou por uma vagabunda por aí? Mas se eu pego ele... vai ver que dele não sobra nem metade”. Ah, agora essa barulheira. Vou é me sentar em outro lugar. Ninguém merece criança chata a essa hora do dia.
         E levantou-se. Fisicamente com o andar habitual, mas mentalmente com a mesma pressa – ou talvez até maior – que tivera fazia alguns minutos em sua tentativa de não perder o trem. A mulher e o filho ficaram para trás; ele brincando com a irrealidade externa da brincadeira e ela tentando concretizar internamente aquilo que lhe parecia ainda pouco real. Caminhou por entre os carros até alcançar quase a outra extremidade da composição. Sentou-se novamente. Que bom, aqui não tem ninguém irritante. Sua cabeça parecia ser atraída para a parede. O sono colaborava, claro. Sem pestanejar recostou-a e relaxou. Só não podia perder a estação. Daqui três preciso descer. Não posso esquecer de pegar as flores no quintal da dona Neide olha que coisa mais bela! Quero uma assim na minha casa. Não, não, sem muito cheiro se não a alergia me ataca e você viu o noticiário? Chuva de asteróides? Imagina, que absurdo a mãe dele dizer tais coisas. Ah, olhe o céu. Olha que coisa mais bela!
         Pum! Seu corpo sacudiu e seus olhos piscaram. Cochilara sem perceber. Preocupou-lhe saber onde se encontrava e olhou para fora do trem. Ainda bem, faltavam duas estações. Que bom que não dormi tanto assim. Mas preciso tomar cuidado, senão dona Neide! A senhora por aqui! Como vai? Pum! Droga, não posso dormir! Por que diacho não fui pra cama mais cedo noite passada? Estou tão cansad... “Uma chuva de meteoros cairá essa noite na Terra. Para aqueles que estão nos observatórios do Hesmifério Sul será um espetáculo”. São meteoros, não asteróides! Esse povo tá doido! Preciso contar a ela que... Pum! Acordou novamente e arregalou os olhos até quase saltarem das órbitas. Acorda, caçamba! Se eu passar da estação e atrasar ainda mais meu chefe me estrangula. Acorda, senã...
         Seu olhar se deteve. O corpo inteiro retesou e o coração saltou-lhe à boca. Se a beleza podia tomar forma humana, se lhe era possível encarnar-se entre os pobres mortais desse planeta então ela estava ali naquele momento. Olhos brilhantes, cabelo como nenhum outro e corpo esculpido a dedo pelo mais talentoso artífice já existente. O rosto se delineava em pura perfeição. O mundo definitivamente parara. Como poderia aquilo ser real? O que é isso? Ele é o homem mais lindo que já vi em toda a minha vida. E seus 29 anos lhe davam certa moral para dizê-lo. Será que ele tá me vendo? Meu Deus, mas e se ele... Quantas estações faltam? Merda, é a próxima. Logo agora que esse cara chegou aqui. O que que eu faço?
         Num misto de faz-não-faz, fala-não-fala, vai-não-vai levantou-se. O leve balanço do trem desnorteava um pouco mas não era suficiente para lhe tirar o equilíbrio. Um passo à frente, dois para trás e o arrependimento lhe golpeando incisivamente o coração. O que eu posso fazer, oras? Falar um oizinho como se fôssemos colegas? Não, não rola. Mas ele é tão... “Próxima estação, Pinheiros". Ele levantou, ai meu Deus! Será que eu não to horrível? Deveria ter me arrumado melhor. Ah, não! Saiu do metrô junto com a multidão (coisa rara na estação Pinheiros esse metrô cheio assim!) debatendo em cochichos retóricos o quanto aquele dia se lhe mostrava ingrato. Perder um cara lindo daqueles, como pude?
         Verdade é que o rapaz – ou deus grego, se assim convier – apenas mudara de lugar, sem insinuar realmente intenção de deixar o meio de transporte. Melhor ir trabalhar e não pensar nessas bobeiras. Ganho muito mais! E foi-se, com pressa, desassossego e nervosismo. Um pouco de cada pra completar seu belo dia. É, isso mesmo. Tudo pra completar meu dia.
        

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Claro

Pinga, pinga, pinga
Repete o som da canção
O meio e o fim da sensação
Tocam-se como velhos parceiros

Se há ou não verdade nas palavras
Deixo aos outros a análise
Mas real é esta minha catarse
Disso não abro mão

Creia quem o quiser
Desista aquele que assim desejar
Ajoelhe-se o pobre sem lar
E chore o palhaço no circo

Que saibam todos:
"A verdade se dá a poucos"
Fujam então os outros
Corram para além-muro

Pinga, pinga, pinga
Escorre pelo rosto e vai ao chão
Que consigo vos leve o perdão
E que a noite se faça manhã

Não seja eu o mesmo amanhã
Sejamos nós o céu do universo
7 bilhões de estrelas a brilhar
E o mundo talvez clarear