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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A destruição inerente

Um enigma sem solução, a charada à qual ainda falta resposta. Não fosse eu respondê-la talvez nenhuma alma o fizesse; difícil crer que mesmo o desalmado tal êxito alcançasse. Olhei para os lados, sem encontrar o suposto objeto tão mencionado. Disseram-me algumas dezenas de vezes ser infinitamente melhor procurar dentro de si, entretanto. Mas como seguir um conselho dessa natureza se nem mesmo creio haver algo no interior para a visão tentar buscar? Estão todos errados, concluo! Nada sabem, sobre nada falam! Enchem suas bocas de vãs palavras, prontas a serem lançadas para os inferiores idealizados. Se me imputam esta condição já não faz diferença. Inferior ou superior, o despropósito parece não variar tanto, tampouco diretamente. Inúteis são, embora úteis tentem fazer-se. É o nosso destino; inescapável como o dia de amanhã. Não para todos, haveremos de concordar.
A alguns tomo por certo a não existência do amanhã. Se deixarem seu ar escapar, voar, se perder; se a psyché puder caminhar com suas próprias pernas; se seu "eu" lhes abandonar e sozinho se puser a vagar é provável que não abram os olhos novamente. Uma pena será, no entanto, não haver Hades para ir. Talvez isso faça alguma diferença. Talvez o último suspiro antes do esquecimento eterno traga alguns tremores, embora os astrônomos possam posteriormente afirmar não terem notado oscilações na organização espacial dos planetas. Nem um astro novo, para a infelicidade de muitos. Dirão também os geólogos que a Terra em nada se alterou e com estes concordarão os físicos; por descuido, todavia, esquecerão a redução do espaço ocupado, posto haver um corpo a menos se movendo pela superfície terrestre. Mexendo um pouco no esquadro e ajustando as medidas torna-se fácil perceber a insignificância da vida humana, não?
Mas teimam, ainda assim, em inflar-se como se verdadeiros deuses fossem. Pouco importa que lhes falte capacidade de administrar suas próprias vidas; sabem fazê-lo bem demais quando se trata dos interesses alheios. Alguns anos na escola, estudo gramatical e grande aquisição vocabular não são suficientes para que recordem a importância do outro a fim de se construir o diálogo ou mesmo o conceito de "respeito". Poderiam refazer a lição de casa se tivessem mais tempo, mas não estou certo de sua capacidade de aprendizado. Reencarnações poderiam, portanto, não se prestarem à utilidade. Mesquinhos, hipócritas. Tão hipócrita quanto este que agora rearranja estas palavras. Farinha do mesmo saco. Inescapável, certo? Imutável, quiçá.
No final, pouco sentido há em responder a questão. A esfinge pode esperar muito tempo. Sua fome é saciada diariamente com aqueles que não chegam ao amanhã. E tudo por, provavelmente, não saberem a resposta. Mas se soubéssemos haveríamos de devorar-nos uns aos outros? Outra pergunta sem solução. A verdade é que mesmo sem resposta já nos devoramos. O homem pode ser o lobo do homem, mas certamente é também uma esfinge. Esfinge sem conhecimento, que não sabe realmente aquilo que desejaria escutar e devora, então, absolutamente tudo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um mundo saturado, incompleto e vazio




Sei que, devido ao que será lido logo abaixo, parecerá que iniciei o post duas vezes. Não, não estou doido a esse ponto, pelo menos não ainda. É que esse era apenas um rascunho que tinha guardado aqui desde o dia 14/07...ou seja, há três meses. O que ocorre é que justamente hoje veio-me à mente finalizá-lo e disponibilizá-lo a todos que quiserem lê-lo; não vos espantai, portanto, a idade já avançada de algumas informações expostas. Lembrai-vos que tais coisas faziam parte do meu universo à época e que optei por manter o texto na íntegra, apenas concluindo-o. Peço-vos, ainda, perdão pelos atrasos nos posts, mas tenho andado sem tempo e disposição pra escrever, ainda que dezenas de idéias percorram meus pensamentos.
Só isso queria dizer...boa leitura!

O título desse post tem muito a ver com a imagem, embora ela tenha originalmente sido utilizada para exemplificar uma "teoria de que a Terra é vazia". Preciso, no entanto, antes de iniciar, fazer um breve comentário que diz respeito exclusivamente a mim: ACABOU! Fui dispensado do serviço militar e agora posso prosseguir sem o risco de ter esse tipo de preocupação novamente durante minha passagem por esse planeta. Aliás, esse é o exato alvo desse texto, mais precisamente o local em que quero situar meu discurso. Desejo falar um pouco sobre coisas que envolvem a todos e fazem parte dessa esfera, conhecida como "Terra", alocada em um vasto e aparentemente infinito Universo. Devemos, para tanto, ter em mente, logicamente, a capacidade geradora dela e o papel de grande lar ao qual tem sido exposta desde os primórdios da vida. Atualmente, porém, a realidade já não se lhe apresenta tão bela quanto fora outrora.
Muitos problemas tem a humanidade; tal afirmação não peca em veracidade de forma alguma. Fome, matanças, corrupção, tristeza e uma insistência na disseminação de um dos piores sentimentos: o ódio. Raiva é uma sensação perfeitamente normal, comum a toda pessoa; sua continuidade, todavia, acaba por transformá-la em rancor, mágoa e, posteriormente, asco. Este, como bem sabemos, é pura repulsa, aversão por determinada coisa, situação, lugar ou pessoa e gera, por sua vez, separação. Ao cultivá-lo passamos a não nos identificar mais como seres absolutamente semelhantes - ainda que extremamente diferentes em inúmeros aspectos -, integrantes de uma mesma raça. Criam-se conflitos e falsas idéias de superioridade baseadas em conceitos infundados e equivocados, levando ao surgimento de centenas de preconceitos e julgamentos que apenas exemplificam nossa enorme imperfeição.
Se alguém passar algum tempo comigo e procurar saber mais sobre aquilo que creio descobrirá logo a infindável e indestrutível fé depositada por mim sobre os seres humanos. Podem aparecer-me santos e deuses prontos a fazer-me, sem qualquer custo, favores e milagres incontáveis; espero que aceitem, entretanto, a minha opção em acreditar mais nos habitantes racionais desse planeta e em nossa capacidade natural de operar maravilhas, bem como minha preferência em dar-nos crédito pelos grandes feitos até hoje alcançados. Se digo tal coisa é justamente por um grande medo presente em mim, fazendo-me pensar que muitos esperarão sempre pela "mão de Deus" ou de qualquer outra divindade para finalmente poderem construir a casa de seus sonhos. Não percebem, infelizmente, que essa mão faz parte do seu próprio corpo; o Deus tão buscado está dentro de si.
Minhas crenças atuam fortemente em mim e estão presentes em todas as decisões que tomo, norteando meus passos e guiando-me pelos lugares onde busco maior entendimento. Não nego, contudo, o fato de eu um dia ter apostado tudo, inclusive as mudanças pelas quais deveria passar, em um ser idealizado, que deveria suprir todas as minhas carências no exato momento em que nos conhecêssemos. Bem, esse dia simplesmente nunca veio! Procurei muito, busquei das mais variadas formas, mas o tão falado Deus parecia estar além do meu alcance e eu, por minha vez, aquém de suas expectativas e julgamentos morais. Hoje a situação já não é mais assim. Afirmar que muitas mudanças ocorreram dentro de mim nos últimos dois meses não constituiria qualquer mentira, antes seria a fala mais correta a sair de minha boca.
Amanhã terei a oportunidade de comparecer a um retiro espiritual de uma igreja evangélica de Maúa, a ser realizado em Ribeirão Pires. Posso dizer, sem medo, que os quase quatorze anos passados por mim em igrejas evangélicas não me fizeram muito bem, ao contrário do que muitas possam pensar. Claro que não as desmereço ou descrimino, apenas afirmo a minha incapacidade àquela época de filtrar informações e reconhecer o limite, a divisão entre a "mão divina"  e a ação humana naquilo tudo  (assim como ocorre em todas as religiões, sem exceção). Veremos o que será, né?! Espero obter várias respostas e fazer progressos na minha caminhada.
Não o falo com o intuito de iniciar uma pregação ou coisa semelhante, mas acho que todos deveriam parar em alguns momentos de suas vidas pra fazer uma profunda auto-análise. Independentemente de crenças, pois isso é algo necessário a cada um de nós, desde o ateu convicto até o fanático religioso. Tomemos como exemplo a natureza, apenas para termos idéia de como o pensamento segue. Para saber se algo está errado é necessário medir concentrações de determinados componentes, observar as alterações visíveis, os índices de proliferação de certos organismos, entre muitas outras variantes. Sem isso não adianta dizer que algo não vai bem, que aquilo outro está com problemas ou que devemos agir para consertar. Consertar como se nem sabemos a causa? Como se arruma algo que não possuímos a compreensão dos motivos pelos quais se encontra fora de ordem? Não sabemos nem explicar a razão de acharmos que há algo errado, quanto mais tomar qualquer medida para corrigir a situação.
E por isso o estudo é importante, uma vez que só através da aquisição do conhecimento consegue-se criar hipóteses e fornecer possíveis explicações para as desordens encontradas. Se estudamos, então, infindáveis coisas a fim de compreender melhor o Universo, seus componentes e as leis que regem a vida, por que simplesmente ignoramos a necessidade de conhecermo-nos e entender como nós mesmos funcionamos? Se pensarmos pro breves instantes, constataremos que cada um de nós forma um Universo particular. Temos idéias e filosofias correndo em nossas mentes, governos impostos por nós para que desempenhemos corretamente as tarefas, formas de julgar ações e pensamentos, reações químicas, interações físicas e biológicas, deveres e direitos que nos dizem respeito e até um relacionamento com nosso interior, que se traduz por aquilo que fazemos a fim de atingir o bem-estar. E se tudo isso está incluso dentro de nós, se milhões de coisas se passam na vida de uma só pessoa, se a junção de tantos fatores forma uma rede tão complexa a ponto de influenciar absolutamente tudo em nossas experiências, por que recusar-se a estudá-la e negar-lhe a devida e tão merecida atenção?
Se o fazemos, podemos identificar com maior facilidade os problemas, entender mais sobre nossos mecanismos de ação e reação, saber os motivos para pensarmos "A" ou "B" e, dessa forma, compreender como isso tudo atua em nosso relacionamento com os universos das outras pessoas, sabendo, por fim, como ajudarmo-las a formar um Todo, hoje constituído por mais de 6 bilhões de pequenos universos. Somos todos parte disso e se desejamos algo melhor para esse mundo, se queremos ajudar aos outros e, claro, a nós mesmos precisamos sentar e analisar nosso próprio mundo, em toda sua complexidade. Só assim saberemos realmente nossos problemas, suas origens e como resolvê-los. É a única forma  de agir conscientemente com o objetivo de se tornar alguém melhor a cada instante. A natureza é assim, o mundo é assim e nós estamos inclusos nisso, sendo, portanto, iguais a eles.
Se insistirmos em prosseguir apontando os defeitos alheios, mas esquecendo de olhar para os problemas internos estaremos somente criando mais um mundo saturado, incompleto e vazio. E disso, venhamos e convenhamos, o mundo já está cheio!


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Por que simplesmente adiar?


Bem, a idéia do post de hoje partiu exatamente daquilo que eu havia escrito há seis dias, onde falava, principalmente, sobre minha falta de organização. Confesso que despejar aquele bando de informações não foi a coisa mais fácil, principalmente por necessitar fazê-las compreensíveis a quem lesse, mas acabei insistindo na idéia e concluindo mais um texto. No entanto, todos sabemos que nem sempre as coisas seguem dessa forma. Muitas vezes abandonamos atividades na metade do caminho, pelos mais diversos motivos. Claro, quando eles possuem certo fundamento são compreensíveis e, muitas vezes, perfeitamente aceitáveis. O problema surge no momento em que começamos a inventar mil situações e dificuldades para desacreditarmos aquilo que intencionamos e, então, cessar os esforços.
É como um jogo que fazemos com nós mesmos. Desenhamos mentalmente determinada situação e, ao fazê-lo, atribuimos-la certo grau de viabilidade. Prosseguimos com nosso ideal inabalável, mas, infelizmente, só até certo ponto. Quando notamos a primeira dificuldade, seja por conta própria ou por um alerta vindo de outra pessoa, pensamos automaticamente em desistir. Pra mim, esse é um momento crucial. Nos vemos diante de duas vias inescapáveis: fazer ou não fazer. Embora muitos afirmem a existência de um terceiro caminho, no qual optamos por não tomar partido ou iniciativa, demonstrando assim indiferença em relação ao assunto, eu o incluiria no "não fazer". Afinal (e aqui incluo que me apraz utilizar exemplos da Física para corroborar meus argumentos), nunca presenciei um caso onde um corpo pudesse ser encaixado em outra categoria que não fosse "repouso" ou "movimento", independentemente do referencial.
Vem-nos então à mente a questão: Sim ou não? E a resposta pode parecer óbvia a muitos, mas para nós geralmente não o é. Oras, se fosse certamente não estaríamos nos perguntando, certo?! Nada é óbvio, pelo menos na minha concepção, até que seja esvaído de toda e qualquer dúvida. Ao meu ver, só podemos ter absoluta certeza de algo a partir do momento em que as respostas para isso se tornam claras em nossos pensamentos e adquirimos confiança naquilo em que passamos a crer (um dia, em outro post, falarei sobre meu conceito de confiança, visto que é outra argumentação muito extensa). Se não nos decidimos de imediato, ou seja, se não confiamos na resposta que nos é dada, podemos dar início então a um longo processo de adiamento. E essa é a pior armadilha na qual poderíamos cair!
Começa aquele "ahh, depois eu faço", "depois eu digo", "depois eu ouço", "depois isso, depois aquilo". Eventualmente o "depois" se concretiza, porém, na maioria das vezes, jamais vira realidade. Passamos a adiar nossas mudanças, ações, falas, decisões e até pensamentos, correndo, inclusive, o risco de deixar cair no esquecimento partes muito importantes de um aprendizado que deveria ser contínuo e aproveitado em sua absoluta totalidade. E as consequências disso raramente são imediatas. Percebemos depois de meses ou até anos o buraco no qual nos metemos por não ter tido anteriormente a coragem ou força de vontade para cumprir uma meta relacionada ao nosso crescimento, essencial ao nosso bem-estar. E assim apenas "empurramos tudo com a barriga".
Sem nos darmos conta, empurramos, dessa forma, diariamente a nossa vida, sem nos sentir completos ou chegar à conclusão de que estamos realmente nos empenhando na melhoria daquilo que somos, na evolução do mundo ao redor. E isso, pelo menos pra mim, resulta num baita vazio interior. Sinto muita necessidade de amadurecer como ser humano, de me tornar verdadeiramente sábio, mas maior vontade ainda é a de poder ajudar aqueles que se encontram ao meu redor, contribuir na construção de um planeta que possa realmente ser chamado de lar agradável a todos. Tenho consciência de que não mudarei o universo, tampouco verei muitos dos resultados das sementes que hoje aqui planto. No entanto, isso não me dá motivos suficientes para desistir. Meu trabalho, assim como o de todos nós, é contínuo, imortal e absolutamente eficaz.
Sei que às vezes reclamo por estar fazendo um Curso Técnico de Meio Ambiente, uma vez que não tenho intenção de seguir na área, mas vejo atualmente as coisas de um ângulo diferente. As matérias podem ser chatas, as aulas insuportáveis e o sentimento de estar fora do meu lugar quase tão forte quanto qualquer outra coisa; existe algo, no entanto, que não posso negar. Cresci demais com tudo que ali tive a oportunidade de vivenciar. Aprendi que minha ação, por menor que seja, tem um grande poder e influência sobre as situações atuais. Uma simples palavra dita por mim pode não produzir resultados imediatos, mas é absolutamente capaz de mudar a vida inteira de uma pessoa. E isso não é mérito meu, afinal, todos temos a mesma força. Talvez não percebamos isso, mas somos diariamente transformados pelas pessoas à nossa volta na mesma medida em que as transformamos. Cada mínimo momento tem, juntamente a muitos outros, a energia de milhões de ondas. O impacto a longo prazo é enorme!
E dessa maneira acontece para tudo, inclusive para aquilo que adiamos. A vida, assim como a natureza, é cumulativa. Então por que insistir em não fazer, em não agir? Por que insistir em cruzar os braços e deixar as coisas passarem? Por que insistir em se fazer de vítima e não admitir a força interna inerente a cada um de nós? Para simplesmente poder estar acomodado? Então, se não esperamos mudar aquilo que nos incomoda, por que reclamamos? Por que nossa opção sempre é simplesmente adiar? Se queremos mudança, comecemo-la por nós mesmos, no nosso cotidiano, em cada segundo da nossa vida. Analisemos aquilo que não nos agrada dentro de nós e façamos o que for possível para retirar esses pedaços ruins não desejados.
Quero deixar aqui uma coisa dita pelo Yanni ontem no show, acrescentando que aquelas duas horas em que estive ouvindo ao vivo sua música foram inexplicavelmente incríveis. Momentos impagáveis, emoções que nem em mil anos eu seria capaz de descrever. Nem todas línguas do mundo possuiriam palavras suficientes, disso tenho certeza. Como eu disse a alguns amigos hoje, o que eu vi ficará marcado na minha memória partindo de ontem até o resto da minha vida. Muito obrigado Yanni, por compor com a alma, com o coração. Muito obrigado Deus, por me permitir tamanha felicidade como a da noite de ontem. Certamente o dia 22/09/2010 será eternamente inesquecível.

"Tudo de bom que já aconteceu à humanidade começou como apenas um singelo pensamento na mente de alguém. E se qualquer um de nós é capaz de pensar tal coisa, então todos nós temos a mesma capacidade, pois somos todos iguais"


E, pra mudar um bocado, fica o link de um vídeo que é realmente demais. Essa música foi tocada ontem e o violino simplesmente acabou comigo ;)

http://www.youtube.com/watch?v=iOMjhZ8mBHg

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um bocado desorganizado...



Acho que o post de hoje tem tudo a ver com várias coisas sobre mim, inclusive o fato de que amanhã faria um mês que não escrevo nada aqui. Mas é a vida, né?! Nem vou dizer que é a correria, porque as coisas estão relativamente calmas pra mim e realmente tenho bastante tempo disponível, ainda mais se pusermos em comparação o semestre atual e o anterior. Pra termos uma idéia, coloquemos aqui quais eram minhas atividades e esclareçamos algumas coisas sobre elas. De segunda à sexta, das 13h às 17h30, fazia curso técnico. Mais tarde, às 19h10, começavam as aulas do cursinho, se estendendo até as 22h15. Em cerca de meia hora já estava em casa, o que deixa nosso relógio em 22h45, certo?! Pois bem, o dia ainda não acabava por aí. Quem me conhece sabe que meu namoro tem certas particularidades que lhe conferem um grau maior de dificuldade em relação aos relacionamentos usuais, embora, sem dúvida alguma, esteja alcançando com louvor seus seis meses de duração - e claro que esperamos que ainda tenhamos muito mais tempo juntos pela frente. Desse modo, precisávamos nos comunicar diariamente e tentar aproveitar o máximo possível nosso tempo um com o outro, a fim de superarmos nosso grande obstáculo, sendo que eu ainda precisava acordar cedo para manter os trabalhos e estudos em dia.
Aí você deve se perguntar: oras, mas isso não é tão difícil, pois ele só fazia duas coisas. E é exatamente aí que você se engana! Às terças-feiras, no período da manhã, tinha aulas de violino. Claro que durante a semana eu precisava praticar pelo menos umas seis horas, levando em conta a possibilidade de estudar uma hora diária, coisa que não conseguia fazer. Entretanto, como se não bastasse, ainda tinha curso de japonês aos sábados. Os horários poderiam até não parecer apertados - e talvez realmente não fossem -, mas sempre existe o "adicional".
Bom, deixo aqui a dica para aqueles que acham a vida sem emoção e precisam de um pouco mais de adrenalina e stress: façam um curso técnico de Meio Ambiente. Se andam faltando coisas com as quais se preocupar, certamente no segundo módulo haverão dezenas de trabalhos semanais acumulados para render boas dores de cabeça e muita correria. Sem contar que se vocês tiverem a minha sorte pegarão ainda a Semana de Meio Ambiente junto com os relatórios e provas. E pra mim foi tudo muito simples: só tive que me preocupar com o violino, fazer todos os trabalhos a tempo, estudar pro japonês, criar juntamente com um pessoal uma esquete (e nisso podemos incluir, como minhas tarefas, cenário, sonoplastia e roteiro) e montar com meu grupo um estande sobre reciclagem de papel. E vale ainda citar que exatamente no dia da peça tive que ir à junta militar pra saber se tinha sido dispensado, complementando meu momento com a maravilhosa sensação de ter sido convocado para a seleção.
Ok, isso não é um desabafo, ainda que possua todos os elementos para ser considerado como um. Só queria retratar minha vida há cerca de quatro meses, pois assim poderíamos compará-la ao estado atual. Simplesmente dizer que desisti do cursinho e das aulas de violino já ajudaria a perceber que as coisas estão mais tranquilas, mas preciso também falar sobre a drástica redução na quantidade de trabalhos, afinal, agora existem semanas em que não entregamos NADA (pode parecer absurda a afirmação, mas no módulo passado tínhamos pelo menos duas coisas na semana, entre provas e trabalhos). Sim, agora os dias estão mais calmos e só temos a pressão dum TCC e um SGA; eu, particularmente, estou tendo que me dedicar um pouco mais ao japonês, porém isso ainda não é suficiente para deixar-me atarefado como antes.
Todavia, mesmo com muito mais tranquilidade, as coisas ficaram mais complicadas. Estou deixando tudo pra fazer na última hora e isso tem me trazido alguns problemas comigo mesmo. E aqui chegamos ao tema do post: a falta de organização. Antes que venham as perguntas, respondo de antemão. Sim, já fiz uma agenda, já programei meus dias, já sei os horários em que deveria realizar minhas tarefas e tenho tudo em mente. Se seguisse meus planos tudo sairia certinho e eu, sem sombra de dúvida, aproveitaria muito mais as coisas que estou estudando. O problema é que essa idéia fica só no campo da imaginação e pouquíssimas vezes torna-se real através das minhas ações. E o pior de tudo é que não vou levando a situação, mas vou sendo levado por ela.
Acho que a pior coisa é termos um plano e faltar-nos força de vontade ou coragem para colocá-lo em prática. E justamente isso tem acontecido comigo. Não vou dormir no horário que deveria, não acordo cedo, perco quase minha manhã inteira, chego à noite e só fico no PC conversando e aos fins de semana saio ou assisto algo na TV. Dessa forma, fica claro que as coisas se inverteram. Semestre passado não tinha tempo pra mim, agora arranjo mil desculpas para não disponibilizar meu tempo para outra coisa que não seja eu. Sei que a mudança tem que partir de mim, mas admito a dificuldade que tem sido tocar nesse ponto. Sinto como se tivesse vivido um extremo e agora estivesse me colocando em outro, incapaz de achar o equilíbrio entre dedicação e lazer. E nem adianta fazer promessas a mim mesmo, porque já me cansei de quebrá-las e continuar a seguir o mesmo rumo.
Acredito que tudo na vida pode nos ensinar algo, cabendo a nós observar a situação e extrair o aprendizado que vem juntamente a ela. Uma das coisas que pude perceber é o fato de que existem áreas na minha vida que estavam necessitando de mais atenção e agora eu definitivamente estou me doando a elas numa medida razoavelmente boa. Tenho recebido grandes lições, coisa que, pelo menos pra mim, é indiscutível. Se paro, inclusive, pra pensar na minha vida há alguns meses, imersa naquela preocupação frenética com os meus compromissos, vejo o quanto cresci em relação a isso. Hoje sei das minhas obrigações, mas não deixo mais o desespero e a irresponsabilidade com o meu bem-estar tomarem conte de mim. Percebi, com tudo aquilo, que preciso cuidar mais da minha saúde, da minha espiritualidade, dos meus relacionamentos e, acima de tudo, da minha felicidade. Mas, infelizmente, ainda tenho penado um pouco pra aprender outras coisas, como, por exemplo, estabelecer metas e cumpri-las.
Sei, no entanto, que as coisas se ajeitarão ao seu tempo, o que de forma alguma devo usar como desculpa para me acomodar. Sou um bocado desorganizado, isso não nego, mas creio que em breve poderei mudar isso, mesmo não cumprindo ainda com meus horários. Se há um recado que gostaria de deixar a quem ler isso é esse: organizem-se, cumpram com suas responsabilidades internas e externas. Pode ser difícil, assim como tem sido pra mim, mas sei que não é impossível. Não deixem, como eu, a bagunça tomar proporções tão grandes a ponto de influenciar em outras coisas na nossa vida. Deixo aqui, parafraseado, um pensamento que li há alguns dias e fez todo o sentido, e abaixo uma foto minha com alguém que sinto muita falta e que, com a graça de Deus, em breve verei.

"A idéia de comunhão entre liberdade e organização pode parecer falha a muitos, mas não é. Não se é livre sem ser organizado."



domingo, 15 de agosto de 2010

Sem reclamar!


Ok, sei que esse tema é um bocado complicado, mas decidi falar sobre ele por ter percebido o quanto reclamo das coisas. E o pior: isso acontece praticamente o dia inteiro. Quer ver?! Pois bem, vamos a alguns exemplos.
Se está muito frio fico bravo, pois meus pés e minhas mãos começam a doer; quando, no entanto, vem o sol e a temperatura sobe um bocado também não estou contente, já que o calor me deixa mole e me faz suar. Se acordo tarde irrito-me com a idéia de que eu sou um vagabundo em potencial, mas se levanto da cama muito cedo passo o dia gritando aos quatro ventos como é difícil levantar às 6h da manhã. Se os trabalhos saem ruins reclamo por não ter tido tempo ou vontade de fazê-los decentemente, porém se ficam bons passo o tempo todo desejando largar tudo e falando que aquilo consumiu minha alma. Se vou para o técnico me sinto mal por não estar fazendo algo que seguirei no futuro. Entretanto, se fico em casa já começo a pensar que deveria estar fazendo algo de útil em minha vida, mesmo que não gostasse. Se paro pra assistir e fazer coisas que gosto me pergunto se não estaria perdendo tempo com isso, jurando que o melhor seria estar estudando. Contudo, se começo a estudar feito um doido acabo rogando pragas a todos aqueles que um dia inventaram esse mania de acumular conhecimento.
E dessa forma se vão os meus dias. Parece que simplesmente sempre há algo errado que me garanta o direito legítimo de reclamar. Afinal, o metrô está lotado, a comida não está boa, estou sem dinheiro, não estou me achando bonito, perdi a hora, discuti com alguém, dormi tarde demais, não tive tempo pra fazer tal coisa, a mesa está desarrumada, não tenho meu espaço pra guardar as coisas em casa, a mochila está pesada demais, estou lendo muito, a bateria do celular acabou, meus cachorros não calam a boca... e por aí vai. Ainda assim tem sempre aquele momento em que nossos problemas parecem ser reduzidos, pois é inevitável encontrar alguém que reclamará ainda mais que você. E assim entramos praticamente numa competição, como se ganhar o prêmio da "Vida Mais Complicada" fosse fazer bem a alguém. Bom, eu percebi que, pelo menos no meu caso, isso não leva a lugar algum.
Só é estranho refletir e chegar à conclusão de que a solução para esse problema é absurdamente simples. É só parar de reclamar. Não dói, não mata, não custa nada, nem arranca pedaço... apenas exige um pouco de esforço. Problemas todos nós temos, isso é indiscutível. Alguns são maiores, outros muito menores, mas isso é algo que realmente não deveria importar. Reclamar da vida não ajuda ninguém em nada e não resolve dificuldade alguma. Ao invés disso deveríamos nos centrar em solucionar as situações conflituosas, sem precisar espalhar e divulgar em rede nacional o quão árduo nosso caminho é. Sem reclamar temos muito mais ânimo pra isso e nos sentimos muito mais confiantes perante nossas batalhas, reforçando uma imagem de capacidade que deve estar incutida em nossas mentes. E isso vale para absolutamente tudo!
O ideal é ter consciência dos muros para os quais estamos rumando, para então planejarmos, de boca fechada e imersos na construção da melhor alternativa, as nossas futuras ações. Tudo sai muito mais rápido e a dor se torna muito menor. Não reforcemos o tamanho do monstro que encaramos, mas sim a grandeza de nossa força para vencê-lo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Buscar sempre ter força!


Finalmente estou retornando às postagens, graças a Deus. Agora pouco tive a idéia e a vontade de escrever um pouco sobre força, algo que todos nós temos e às vezes não sabemos como encontrar. Venho aprendendo muitas coisas ultimamente, ensinamentos que estão verdadeiramente revolucionando minha vida e visão de mundo. Ainda assim, não é fácil sorrir para tudo e manter a felicidade interior frente aos inúmeros desafios que a vida insistentemente nos apresenta. Penso que nossa existência é exatamente como o mar; assim como a lua e outros fatores influenciam as marés, trazendo tormentas ou dias de pura paz numa praia qualquer, os acontecimentos ao nosso redor nos fazem sofrer ou sorrir, odiar ou amar, sentir-se mal ou bem. E todos bem sabemos: existem muitos dias em que o mar de nossas vidas encontra-se absolutamente agitado, sem possibilitar-nos enxergar um caminho ou algo capaz de nos levar a ter esperança. 
Diante disso muitos desistem de caminhar, rendendo-se às intempéries e fazendo-se vítimas irreparáveis de sua própria falta de amor e compaixão para consigo. E por que digo isso? Bem, é muito fácil ver que todos sofremos, mas a dificuldade se encontra em entender porque alguns lidam melhor com a dor enquanto outros parecem ser derrotados por cada soco que levam da vida. E isso, pelo menos para mim, reflete uma grande falta de força interna. Se formos ainda mais fundo, veremos que tal dificuldade é ainda ocasionada pela deficiência em diversos outros fatores, como auto-estima, paz interior, confiança, estabilidade emocional e psicológica, entre muitas outras coisas. Sendo assim, vejo que esses pontos precisam ser trabalhados para que saibamos administrar nossas atitudes.
Sim, porque é extremamente necessário estar em sintonia consigo e possuir auto-controle para conseguir, então, superar momentos difíceis. Claro que todos teremos dias, semanas, meses e até anos ruins. Isso é absolutamente inevitável e tentar controlar a direção dos acontecimentos só nos trará mais dor, posto que é impossível frear tudo aquilo que possa nos incomodar. A vida não foi feita para ser somente um mar de rosas, mas não precisa, entretanto, ser uma tortura diária. Sorrir pode nem sempre ser fácil, ainda que tudo esteja correndo bem. No entanto, é imprescindível criar e desenvolver a paz interna, a qual nem a pior tormenta é capaz de abalar. Grande exemplo disso, ao menos para mim, foi o episódio bíblico de Jesus e os discípulos no barco durante uma grande tempestade. Enquanto tudo balançava e a embarcação prometia virar, levando, possivelmente, todos à morte, o desespero tomava conta. Jesus, porém, não se incomodava com tudo aquilo, provando que seu interior não poderia ser abalado pelas dificuldades externas. E assim o problema foi vencido.
Podemos até não ter todo o desenvolvimento que foi mostrado por ele naquele dia, mas somos plenamente capazes de colocar em prática nossas vontades. E quem é que se recusaria a estar em paz todos os dias? Quem se recusaria a não se deixar vencer pelos problemas? Quem se recusaria a ter força para encarar suas dificuldades? Todos queremos isso, todos precisamos disso. E se falhamos em nossa busca é porque estamos indo pelo caminho errado. Estamos buscando fora o que deveria ser achado dentro. Tentando encontrar motivos para estarmos calmos, quando, na verdade, deveríamos nos tranquilizar para depois encararmos o mundo. O caos não pode nos trazer paz alguma, mas nós podemos sempre parar e respirar para nos restabelecermos. Dessa forma passamos a nos irritar muito menos e confiarmos muito mais em nós mesmos para desenvolver nossas atividades e prosseguir com sabedoria.
E essa confiança é a grande chave! Se confiamos em nós, acreditamos no nosso potencial, encontramos a força para acordar e encarar nossos próprios fantasmas. O impossível é estabelecido por aquilo que nos impomos como limitação e somente seremos incapazes se assim acreditarmos ser. Buscar sempre ter força é saber o seu potencial, ter paz dentro de si, ter auto-controle e entender que as situações não podem ser controladas por nós. Portanto, se não podemos direcionar o mundo, direcionemos a nós mesmos e saibamos, assim, viver melhor e com muito mais saúde. Façamos nosso caminho, tenhamos força por nós mesmos, sem esperar que o ambiente ou as pessoas nos dêem aquilo de que sentimos tanta necessidade.

domingo, 18 de julho de 2010

Olhando por outro lado...


Acho que parece até uma mania minha vir aqui e retomar o assunto de postagens anteriores, mas é algo a que precisamos começar a nos acostumar - ou não. Enfim, só queria dizer que a dor no dente finalmente se foi e agora eu já posso me alimentar e falar feito uma pessoa normal,embora ainda esteja longe de tornar-me uma. Continuo, no entanto, a ouvir meu celular tocar às oito da manhã pra me lembrar que já está na hora de tomar o antibiótico; sexta-feira, felizmente, isso já não será mais necessário, pois a receita pede apenas sete dias de medicação. 
Anyway, provavelmente é perceptível que o assunto do texto não é esse. Talvez não me estenda muito nessa publicação, porém necessito urgentemente dizer isso: estar aqui com o Fernando esses dias me fez perceber algumas coisas, notar muitos detalhes que geralmente passam totalmente desapercebidos a todos nós. Reclamamos tanto da nossa cidade, do nosso bairro, das pessoas ao nosso redor, da nossa condição financeira e de muitíssimas outras coisas, esquecendo-nos completamente de agradecer um bocado por aquilo que possuímos. Às vezes insinuamos até uma superioridade exacerbada dos atributos do vizinho em relação aos nossos, acabando por desprezar ou diminuir a importância de nossas próprias qualidades. Por que digo isso? A resposta é fácil: Belém, de acordo com a descrição dele, não chega nem aos pés de São Paulo.
Eu achava, por exemplo, que minha cidade era suja demais e me sentia mal em ver papéis de bala e afins largados no meio da rua até ouvir de um paraense que nos lugares públicos de sua terra o lodo do esgoto corre ao longo da sarjeta, a céu aberto. O cheiro, de acordo com ele, é forte o bastante para incomodar. Via as pessoas daqui como absurdamente mal educadas antes de saber que lá seria em vão esperar desculpas de alguém após um esbarrão ou um pisão no pé; no máximo lançar-se-iam olhares maldosos e revoltados, preâmbulos de uma boa confusão. Se aqui nos incomodamos com locais cheios somente pelo fato de estarem abarrotados de gente, lá contamos ainda com uma falação alta e exasperada, totalmente desmedida, capaz de fazer qualquer um perder metade de sua audição em menos de dez minutos. E não esperemos achar  nesse território um ônibus limpo ou com a manutenção em dia - claro, essa é feita quando a locomoção do veículo torna-se totalmente inviável -, pois a maioria deveria estar proibida de circular em função da ameaça que representam à saude e bem-estar públicos.
Hoje ainda me espantei quando ele perguntou se poderia ligar para sua mãe enquanto caminhávamos, por volta de dez horas da noite. "Ué, por que não poderia?", indaguei em toda a minha inocência. "Porque senão somos assaltados". Tá, claro que o bom senso apita ao estarmos com qualquer aparelho eletrônico em mãos numa rua deserta e escura, localizada em algum bairro da periferia, mas certamente ficaríamos tranquilos ao fazê-lo numa avenida bem iluminada, movimentada e munida de dois quartéis da Polícia Militar. Lá, entretanto, não interessa o horário ou o quão cheia possa estar, a rua nunca parece ser segura. Se pararmos pra comentar sobre o estilo de música popular, entraremos num dilema insolucionável: será ela pior ou equiparável ao tão odiado funk? Difícil dizer, pior ainda ser obrigado a ouvir.
Tantas comparações só me fazem pensar que talvez eu seja imensamente privilegiado e apenas não havia me dado conta de tal coisa até então. Afinal, parece-me que reclamo de barriga cheia; ainda assim, isso não é motivo para achar que tudo está às mil maravilhas, pois isso seria total ilusão. Deveríamos somente tentar admitir que a situação não é tão catastrófica quanto parece, mesmo sendo capaz de nos incomodar. Olhando por outro lado e analisando o relato de um morador de Belém constatamos que podemos ser um pouco mais felizes e sorridentes, necessitando, para tanto, somente parar um pouco de julgar e desdenhar de tudo que faz parte de nosso cotidiano. Até porque no norte do país, diferentemente daqui, nem os idosos tem sua vez, pelo menos não para os motoristas de ônibus; ao estarem sós e darem sinal para o veículo são absolutamente ignorados e deixados para trás, pois, no fim das contas, não pagariam a passagem de qualquer forma.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um pouco de medo faz bem


Originalmente eu iria falar sobre alguns problemas do mundo, levando em conta a disseminação do ódio e discórdia entre nós. Minha vontade, no entanto, mudou e eu já não me sinto, nesse momento, à vontade o suficiente pra discursar sobre esse assunto, preferindo expor minhas idéias sobre algo um bocado diferente: o medo. Acho que a inclinação para esse tema veio justamente da experiência recente que tive, a qual foi capaz de deixar-me ligeiramente apreensivo e gerar certo nervosismo. Mas isso era provavelmente inevitável; penso que quase ninguém enfrenta uma seleção no exército sem sequer um traço de receio em seu estado emocional. Ainda assim, não foi algo tão grande a ponto de fazer meu coração disparar ou as mãos suarem, apenas um evento atípico e que, graças a Deus, acontece somente once in a lifetime para nós, homens.
Bem, de qualquer forma, penso haver uma verdade indiscutível imersa nas inúmeras variantes desse sentimento: não importa a intensidade, seja um leve frio na barriga ou um ataque de pânico, ele jamais será agradável. Como citado ainda no post de ontem, estou aguardando pelo dia de amanhã com imensa ansiedade e, inegavelmente, uma ponta de medo em meu coração. Afinal, não faço idéia de como as coisas serão, a forma que os acontecimentos se desenrolarão, as situações às quais estaremos expostos e se haveremos de lidar com aspectos negativos. E se penso sobre já me vem uma palpitação, um misto de vontade e desvontade impossível de ser colocado em palavras, porém não suficientemente forte para incitar-me a desistir. Só quero que tudo saia da melhor forma possível.
E se a mim fosse incubido o trabalho de resumir esse desespero eufemizado - se é que assim posso chamá-lo - em apenas algumas letras, faria uso da seguinte sentença: ter controle. Ora, isso diz respeito simplesmente ao pré-conhecimento de todos os eventos passíveis de ocorrência, sem atribuí-los antecipadamente adjetivos bons ou ruins. Ter somente ciência daquilo que nos aguarda, evitando assim imprevistos e erros desnecessários. Pois bem, exatamente nesse ponto consiste o medo, sendo nada mais que a insegurança perante a incerteza de uma realidade totalmente ou parcialmente imprevisível.
Admito que por ele já fui impedido várias vezes de prosseguir em determinados caminhos, assumir riscos e aproveitar oportunidades convidativas. É igualmente verdade, no entanto, o fato de que essas mesmas "mãos" , responsáveis por eventuais hesitações em minha vida, colocaram-me "cara a cara" com diversas faces de mim mesmo, obrigando-me a encarar circunstâncias de puro pavor e levando-me a entender-me cada vez mais. Ao enfrentarmos, portanto, as dificuldades que nos são ofertadas, ganhamos a recompensa de aprender a lidar com nossos próprios fantasmas e progressivamente denotar tudo que faz parte de nossa personalidade. Nossa mente torna-se, aos poucos, um livro aberto diante de nossos olhos, pedindo somente para ser cautelosamente analisado e interpretado da forma mais correta possível. E quão grande leitura podemos realizar se nos precavermos das possíveis enganações e submergirmos no mar criado por nossos pensamentos!
É um passo certamente difícil, parte de uma caminhada ainda mais longa. Tão demorado é o percurso, que leva, em todos os casos, uma vida inteira para absorvermos e assimilarmos as informações obtidas, sendo ainda assim inviável pôr em prática todas as lições ensinadas. O importante é estarmos prontos a todo momento para transformá-las em novos horizontes, expandindo nossa compreensão sobre as pessoas e nossas relações sociais. Tornamo-nos assim uma pequena parcela de algo muito maior, presente em tudo que vivenciamos e experimentamos, lançando ao chão barreiras que outrora pareciam-nos intransponíveis. O medo deixa, finalmente, de ser um empecilho, vestindo-se de incentivo para aderirmos a uma guerra de idéias, onde devem prevalecer os bons valores e o bem-estar individual, posteriormente coletivizado, como células em um corpo, e objetivando preparar cada um para exercer seu trabalho. Cria-se então uma realidade melhor, onde não duvidamos tanto e apostamos muito mais em nossas capacidades.
Pensando desse jeito, o medo pode jamais ser agradável, mas um pouco dele sempre nos fará bem...

Quando os dias passam...


Algumas pessoas esperam mais por certas coisas. Pra outras tudo acontece simplesmente mais rápido. A vida não para pra absolutamente ninguém e nós vivemos em função de inúmeros e infindáveis compromissos; uns a longo prazo, outros mais próximos. No início de 2010 passei por algo que todo brasileiro (note o emprego do gênero masculino) enfrenta em algum momento de sua vida, mais precisamente no ano em que completa dezoito: alistamento no exército. E, claro, recebi inúmeros conselhos dizendo "você não será chamado, fique tranquilo", "eles não pegam filho único, não escolhem quem não quer". Logicamente todos esses argumentos caíram por terra quando, no dia do retorno, fui convocado para a Seleção Geral. E cá estou eu, a cerca de cinco horas do "momento da verdade". Já tentaram agora, de uma forma diferente, me tranqüilizar com afirmações do tipo "calma, eles vão te dispensar", tendo até quem dissesse que "o salário é excelente". De qualquer forma, nada disso ajudou muito, então simplesmente ignorei e aceitei a realidade: será o que tiver que ser. Mas é claro que nesses momentos bate aquele sentimento de "queria ser mulher", embora este seja negado instantaneamente pelos problemas de menstruação e a dor de um parto, entre outras coisas não tão agradáveis.
Ainda assim, nem toda espera é negativa. Um dos maiores exemplos disso, pelo menos para mim, foi a ansiedade pela chegada do dia 15/07/10, reforçada ainda mais pelos acontecimentos de hoje. Se até então nada era certo, agora as coisas são mais que reais, praticamente palpáveis. A ficha ainda não caiu, isso é absolutamente inegável, e, como já disse a ele, provavelmente não cairá até a manhã ou noite de sexta-feira. Afinal, uma promessa feita há mais de quatro meses não se realiza sem grandes sustos, mesmo em frente à enorme felicidade de um evento tão almejado. Serão duas semanas maravilhosas, sem dúvida alguma, e faremos de tudo para aproveitá-las ao máximo. Haverão dificuldades, inerentes a todo e qualquer novo passo, porém creio sermos capazes de superá-las e fazer dessa viagem algo completamente inesquecível.
Enquanto isso, outros objetivos vão aparecendo e as atividades começam a borbulhar em nossas mãos. Mais quatro meses ainda hão de serem decorridos até a apresentação do meu TCC, o que, sinceramente, é pouquíssimo tempo para confeccionar e finalizar devidamente um trabalho dessa magnitude. E as horas no dia acabam faltando; às vezes desejava um movimento de rotação terrestre com, pelo menos, 36 horas e uma translação de uns 400 dias.Teríamos meses e anos mais longos, mais oportunidades e mais tempo pra lazer, amigos, família e o indispensável auto-conhecimento. Infelizmente sou obrigado a admitir a impossibilidade disso e aceitar a pressa da vida em fazer-se passar o mais rápido que conseguir.
Seria hipocrisia minha, contudo, classificar tal correria de forma a transformá-la em algo puramente prejudicial. Quem já não se pegou pronunciando palavras como "Graças a Deus, já passou" ou mesmo "Ainda bem que as coisas passam rápido" que atire a primeira pedra, visto que existem situações suficientemente insuportáveis para merecerem nossa aversão a elas. Isso posso aplicar exatamente no que citei logo no início desse texto: a Seleção Geral do exército. Não vejo a hora de estar livre e poder comemorar, aliviado, o fim desse tormento. No entanto, gostaria de acreditar na infinitabilidade das próximas duas semanas; sei, de qualquer forma, que isso não existe.
Sendo assim, agradecendo ou reclamando, a vida vai andando. As coisas acontecem, novas emoções nós esperamos e expectativas geramos de um futuro diferente ou situações que nos proporcionem tanto prazer quanto desgosto. O maior ganho é, certamente, a aquisição de conhecimento e experiência, dois grandes aliados em nossa jornada. Sejam derrotas ou vitórias; quando os dias passam tudo se converte em crescimento e evolução.