sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Conseguimos muita coisa, sem dúvida!

Embora a mídia praticamente não tenha noticiado a respeito, ontem milhares de pessoas se reuniram na Av. Paulista, às 17h, para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo. Eu, diga-se de passagem, estava no meio da manifestação. Tudo teve início quando o atual prefeito, Gilberto Kassab, anunciou o aumento de 30 centavos no custo da passagem, ainda em dezembro do ano passado, elevando-a de R$2,70 para R$3,00. A medida foi aplicada em 5 de janeiro desse ano e garantiu a São Paulo primeiro lugar no ranking das tarifas mais caras do Brasil! Como defendido, o aumento, de 11,11%, foi estipulado muito acima do nível da inflação, de 5,25%, e gerará um acréscimo de cerca de 5% no orçamento mensal das famílias de baixa renda. No caso daqueles que contam apenas com um salário mínimo (atuais R$ 510,00), o transporte público poderá comprometer até 25,9% dos ganhos mensais, tirando, assim, pouco mais de um quarto do dinheiro recebido.
Tendo ciência destes fatos, entre alguns outros, o Movimento Passe Livre (MPL) organizou uma passeata para o dia 13/01/11, à qual compareceram cerca de 700 pessoas. A ação foi reprimida, no entanto, pela Polícia Militar quando os manifestantes alcançaram a Secretaria da Educação do Estado e terminou com um saldo de cerca de 30 detidos, fora aqueles atingidos com balas de borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Diz-se, ainda, que houve casos de espancamento e perseguição a outros grupos que nem sequer estavam ligados ao protesto. Um vídeo (abaixo) mostrando parte da violência aplicada contra os estudantes foi colocado no youtube, exibindo claramente a desproporcionalidade entre a agressão policial e a possibilidade de resposta por parte dos participantes do evento.

 
Ainda assim, o medo imposto não foi forte o suficiente para desestabilizar o grupo e ontem a reunião se repetiu, aumentando mais de 3 vezes o número de manifestantes. A concentração teve lugar na Praça do Ciclista, próxima ao metrô Consolação, e percorreu, das 17h40 às 20h, a Avenida Paulista, bloqueando duas das quatro faixas no sentido Brigadeiro. Enquanto algumas reportagens estimam em torno de 2500 pessoas outras vão além e chegam a afirmar que mais de 4000 compareceram ao ato. Seja como for, o saldo foi excelente e mostrou que o paulistano não está exatamente disposto a pagar taxas altíssimas para se locomover em sua cidade, vendo o aumento como meio de exclusão num sistema que já não permite oportunidades iguais a todos. Além disso, vale ressaltar que na recente pesquisa da Rede Nossa São Paulo o transporte público obteve nota 4,2, numa escala que ia de 0 a 10. 
A insatisfação é grande e certamente acompanha o encarecimento do serviço, que desde 2005, já nas mãos do PSDB, subiu 50%, enquanto a inflação, no mesmo período, mostrou-se em 30%. Ontem conseguimos muita coisa, sem dúvida, mas dia 27/01 tem mais e esperamos uma adesão maior ainda, pois só assim é possível ganhar a batalha. Para quem quiser mais informações, vai o link da comunidade do orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104101. Se não tiverem acesso à rede de comunicação, perguntem-me o que desejam saber e eu buscarei responder da melhor maneira possível! Posto algumas fotos aí embaixo pra vocês terem uma idéia de como foi tudo.

Vista da frente da manifestação (Foto: Vinicius Medeiros)

Vista da parte de trás da manifestação (Foto: Vinicius Medeiros)

Momento em que sentamos na Av., queimando a bandeira do estado de São Paulo logo em seguida (Foto: Vinicius Medeiros)

Ps: perdão por não postar mais informações referentes ao andamento do protesto em si, mas estou com pouco tempo e preferi postar pouco a não postar nada.

Mudanças à frente...

Como alguns já perceberam - eu acho -, minhas postagens estão começando a tomar um rumo diferente; atribui-se isso, logicamente, às mudanças que eu mesmo venho sofrendo, uma vez que o texto reflete o estado atual do autor, e o ritmo acelerado em que meus pensamentos se alteram. Tenho buscado por mais notícias, especialmente na mídia independente, começo agora a me envolver com alguns movimentos sociais (estive ontem no protesto contra o aumento da tarifa do ônibus em São Paulo, que detalharei em um post futuro) e nasce dentro de mim uma vontade de estar mais engajado com a política e outras coisas constituintes de nossa sociedade.
Dessa forma, há, certamente, uma transformação prevista no conteúdo das próximas postagens, bem como  o "nascimento" de uma abordagem e estilo diferentes dos que venho seguindo até o presente momento. Espero que os leitores continuem seguindo, lendo, buscando informação e, sem dúvida alguma, criticando o que julgarem necessário, posto que através da discussão - em seu contexto civilizado, claro - chega-se a novas idéias, conceitos e até mesmo propostas de crescimento para ambos os lados. Tentarei ser ainda mais assíduo e peço-vos para retornarem à página sempre que possível, especialmente hoje à noite pois darei uma notícia também importante e relacionada diretamente ao futuro do "Capita a tutti".
Obrigado pela atenção e vamo que vamo!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

(Postagem antiga) Sete distâncias, sete tempos


Observava a lua, via as estrelas e contemplava a imensidão do grande absoluto
Sabia que nada era eterno, embora tudo se refizesse com certa precisão
Quatro palavras, não as disse, pensei-las sem encontrar fôlego para expelir o som
E lá estávamos nós, com sentenças mal acabadas e entrelinhas incoerentes
Queria eu olhar nos teus olhos e dizer tudo que guardei, tudo que soube e esperei para fazer
Mas não pude, não vi, não busquei seguir uma das duas vias que me levasse a algo diferente
Somente parei, olhei, encarei a realidade com olhos incrédulos e indignos, sem nada explicar
Quem dera poder um dia, com um tanto de compreensão e sabedoria, dizer-te as minhas inconstâncias
Para tanto, entretanto, deveria eu esclarecê-las antes a mim mesmo; fazê-lo, verdadeiramente, não aprendi
Digo-te, pois, que nada posso, sendo isso fruto de fatos vindos da alma, do coração de quem reconhece não conhecer aquilo que deveria ser conhecido
Encontraria paz nos meus desejos, mas trazer-me-iam dor com a qual seria incapaz de lidar
Responda-me apenas uma vez, diga-me a razão de estarmos a dois passos de um destino inescapável
Poderias tu mudar o que fazes? Poderia eu saber quais são minhas aparências e descobrir as sete faces?
Facilmente diria-te as certezas que tenho, porquanto as dúvidas se lhes mostram muito maiores e mais avassaladoras
Uma alma que não canta, que se perdeu em meio ao seu rumo esquisito e oscilante
Canta somente quando lhe espera algo mais, quando pensa haver achado seu tesouro perdido
Logo depois, porém, descobre que vazia é a vida das coisas que a rodeiam, tão vã quanto o que lhe sobra de sobriedade
Não caberia-lhe entender mais que sua capacidade, mas insistentemente corre atrás do que não lhe pertence
Perdoe-me por não poder, perdoe-me por minha fraqueza e ingenuidade
Pensava e visualizava quadrados arredondados, quase círculos girando num mundo agitado e impreciso
Mas estes, num posterior vislumbre talvez premeditado, mostraram-se como triângulos e trapézios
Magoaram-me com suas mentiras; no entanto, pior era eu que havia dado-lhes crédito
Estúpida criatura que fui, enganada e enganadora, a quatro tempos de uma decisão quiçá errônea
Passar-se-iam mais três para clarear-me a mente confusa e obscura, mas resultado não trariam
Deixar-se-iam penetrar os cantos e partes mais profundas daquilo que nenhuma pessoa jamais teorizou
E veria eu minha queda, minha tentativa final de reconstruir os muros da cidade em cinzas pela guerra eterna
Chorei, mas não me adiantou
A dor só perseguiu e estancou, cravou-se naquela pequena parte de sabedoria esquecida
E eu perdi, não fiz o que deveria fazer
Talvez deseje mais do que posso ter, talvez imagine mundos deveras exacerbadamente coloridos 
Inexistentes, falhos e fajutos, sem qualquer fundo de realidade ou experiência contabilizada
Não existem, assim como eu também não existo em meio a eles
Sou isso que sou, aquilo que entendo não ser
Pertenço a algo que não conheço, sem parentesco ou laço agradável
Prometo-me apenas uma coisa: saberei um dia o que faço e direi a ninguém minha descoberta.


Ps: escrevi esse texto em 29 de junho de 2010, publicando-o num blog que criei e abandonei (pra variar). É legal ver como muita coisa mudou daquela época pra cá.

Palhaçada talvez seja eufemismo (Atualização 1)


As modificações encontram-se no fim da postagem, com a respectiva data!

Se alguém viu meu facebook ontem - ou talvez o twitter - sabe o quanto tenho reclamado, desde as 13h, dos problemas no site do SiSU. Todavia, não sou apenas eu que está enfrentando problemas, mas sim dezenas de milhares de estudantes espalhados pelo Brasil todo. E tudo por quê? Por falta de planejamento e, ao meu ver, um enorme descaso conosco. Problemas do Enem à parte (sem ressaltar, claro, que ano passado ele foi adiado de última hora e agora ocorreram erros na impressão), a dificuldade em acessar o SiSU está estampada nas comunidades relacionadas ao assunto, principalmente no orkut. 
O jornal, por sua vez, pouco noticiou a respeito, sendo isso consequência, logicamente, do pronunciamento escasso, para não dizer quase inexistente, do MEC; nota-se ainda a aparente incompetência do órgão em administrar o programa, o que traz força para aqueles que são contra o Enem e o SiSU. Quando algo foi dito, tivemos palavras como "tenham calma" e "o site está um pouco lento". Agora vá dizer a todos que nesse momento fazem plantão na frente do computador, às centenas de jovens que devem ter utilizado lan houses para fazer sua inscrição e acabaram se frustrando por gastar dinheiro inutilmente, como também àqueles que não possuem fácil acesso à internet mas ainda assim se esforçaram para tentar ficar online, ainda que por breves minutos, só por causa do SiSU. Site lento?! Houve momentos em que nem se conseguia visualizar a página! Mas vamos pegar o problema pelo começo, certo?!
Pois bem, eu não entrei às 6h da manhã na internet justamente por temer a sobrecarga do sistema e as dificuldades que poderiam advir disso. A minha decisão, entretanto, não mudou nada, pois iniciei minhas tentativas às 13h e até o presente momento não obtive qualquer resultado satisfatório. Logo no início, conseguia acessar a home page do site e até passar à segunda janela, onde digitamos o número de inscrição e a senha do Enem. Ao passar para a terceira página, infelizmente, o tempo de resposta do servidor estourava e eu tinha que recomeçar. Depois de um tempo, a segunda página já não abria mais e não demorou muito para que a inicial tomasse o mesmo caminho; clicar no link do SiSU, encontrado pelo pesquisa do Google, tornou-se absolutamente inútil, uma verdadeira perda de tempo.
Essa situação perdurou por, pelo menos, oito horas, creio eu, alternando entre períodos em que era possível abrir até a segunda página e outros nos quais não dava sequer pra entrar no site. E haja paciência! Às 00h o expediente acabou, sendo o retorno da página previsto, segundo o MEC, para as 6h; por volta de 1h, contudo, as inscrições foram reabertas. Eu corri para tentar fazer a minha e consegui marcar até a opção de primeiro curso (correspondente à 4 página), mas o excesso de acessos novamente não me permitiu concluir o registro. Resultado: o site não se manteve por mais de 2 minutos no ar, sofrendo novamente problemas com a rede. Agora a página está fechada e não tenho idéia de que horas conseguirei finalmente resolver isso, havendo uma grande quantidade de jovens nesse país na mesma situação.
O pior de tudo foir ler uma reportagem onde o MEC afirma que a banda foi feita para suportar até 400 inscrições por minutos, sendo que na tarde de ontem as taxas chegavam a 600/minuto e 84 mil acessos simultâneos. Será incompetência do Ministério da Educação ou apenas falta de respeito com as pessoas que realmente dependem desse sistema para garantir sua vaga numa universidade de qualidade? Ambas as respostas não nos levam a algo bom, sem dúvida, e palhaçada talvez seja eufemismo pra tudo isso.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Como se não bastassem todos esses problemas, ontem ocorreu um ainda pior: por alguma espécie de erro no sistema, houve vazamento de dados dos alunos inscritos no SiSU! Isso mesmo, uma baita dor de cabeça para todos nós. Dezenas de alunos no orkut - e eu estou incluso nisso - relataram que ao abrir a página do site, digitarem seus respectivos dados e confirmarem, surgia uma mensagem de erro e então, inesperadamente, ao tentarem recarregar a página, informações de outras pessoas, com notas e opções de curso diferentes apareciam. Nessa hora um nervoso verdadeiro, e absolutamente fundamentado, tomou conta de todos, pois se qualquer um pudesse acessar a inscrição de outro candidato isso significava que havia risco de alterações nas opções individuais. Para comprovar tal afirmativa, alguns indivíduos começavam a declarar que seus cursos haviam sido mudados sem qualquer precedente. Eu, por exemplo, tive minhas duas inscrições canceladas.
Pipocaram centenas, se não milhares, de reclamações direcionadas ao MEC, Enem e SiSU, sendo que muitas chegaram a ser mandadas para diversos sites jornalísticos. Eu, por twitter, insistia em pedir ao MEC um pronunciamento a respeito do problema, embora tanto a minha voz quanto a de todos os outros que enfrentavam a mesma situação parecesse não ser ouvida. Não lembro ao certo o horário, mas o twitter do MEC consta de 21 horas atrás a primeira resposta em relação ao problema, ou seja, entre as 22 e 23 horas de ontem; toda a confusão, entretanto, tivera inicio às 19h23. O órgão alegou que um erro na memória cache causou o transtorno, mas nenhum dado, segundo o MEC, foi verdadeiramente alterado. Bem, o problema foi realmente resolvido, mas a atmosfera continua muito tensa em relação à gestão do programa. 
O site continua dando erros, apresentando lentidão excessiva e ainda é difícil acessar as inscrições. Hoje pela manhã a Defensoria Pública da União do Ceará (DPU) entrou com uma ação contra o Enem por conta dos problemas com as notas das provas, ainda sem levar em consideração as dificuldades com o SiSU. Agora é esperar pra ver se sai algo disso, porque no fim das contas nós pagamos o pato. Quem sabe com a alteração na presidência do Inep as coisas possam tomar um caminho, pelo menos, não tão difícil.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Depois do nervoso, um pouco mais de desespero.


Bem, acho que as pessoas mais próximas a mim - ou mesmo aquelas um bocado distantes - sabem que os três últimos dias foram bem tensos; para mais 35.764 pessoas, aliás, o nervosismo deve ter sido equiparável. E tudo por quê? Por causa da bendita da Fuvest, é claro! Esse vestibular para o qual nos preparamos durante meses e que definirá se faremos ou não o curso tão desejado numa faculdade de renome. Discussões acerca da qualidade à parte, temos a realidade: o vestibular da USP é o mais concorrido do país. Isso já basta pra causar um leve frio na barriga ao sabermos da nossa necessidade futura de enfrentá-lo, embora cada curso tenha suas particularidades no que tange o ingresso na universidade; prestar Medicina é totalmente diferente de candidatar-se a uma vaga em Letras. Eu, por sorte - e logicamente por afinidade -, escolhi a segunda dessas duas, não necessitando, portanto, preparar-me durante um ano ou mais e deixar algumas centenas de reais num cursinho. 
Mas a coisa não foi tão fácil quanto eu esperava. Após passar pela primeira fase, numa prova realizada em 28 de novembro do ano passado, veio a parte mais difícil, chamada segunda fase. Três dias de provas, cada uma com duração de quatro horas, e sem uma alternativa sequer. Todas as questões inteiramente dissertativas! Domingo foi o primeiro dia. Lembro de ter me sentido calmo, relaxado - ainda que quase tivesse sido assaltado uns quinze minutos antes - e não haver encontrado grandes dificuldades, fosse resolvendo as 10 questões de Língua Portuguesa ou escrevendo a redação sobre "altruísmo e pensamento a longo prazo na sociedade atual". Ainda assim, o mar de rosas não durou mais que 24 horas. Ao me deparar com as questões de Matemática, Física, Química e Biologia, já no dia seguinte, simplesmente entrei em desespero. Não sabia absolutamente NADA! Algum de vocês já olhou pra uma prova e disse pra si mesmo "fodeu"? Pois bem, repeti isso em voz baixa umas trinta vezes, mas ainda assim nada mudou; a prova continuou tão impossível quanto estava no começo e eu saí com um saldo de 7 questões respondidas...de 20!
Só queria chorar e me descabelar, lembrando incessantemente o quanto eu era um asno e achando que não seria nada na vida. Típico drama adolescente (e olha que em termos legais já sou adulto). Sobrevivi sem grandes cicatrizes, logicamente. Não morreria por causa de um vestibular; além disso, ainda havia o terceiro dia para recuperar tudo que eu perdera no anterior. E assim foi hoje. As 12 questões de História e Geografia podiam até não serem tão fáceis quanto eu gostaria, mas me permitiram respostas adequadas. Saber que resolvi todas elas me deu um grande alívio, pois a pequena esperança de conquistar minha vaga na USP renasceu.
Voltei pra casa feliz e saltitante, quase me sentindo estrela de filme hollywoodiano naqueles dias em que o céu parece mais azul, as plantas mais verdes, as pessoas mais bonitas e gentis e o mundo torna-se um lugar aconchegante e prazeroso para se viver. Ainda assim, parte da beleza esvaiu-se agora pouco. A tranquilidade absoluta resolveu ir junto, fechando a porta na minha cara e não me dando qualquer previsão de volta. Pensar que eu poderia entrar numa faculdade e saber que todo meu esforço só ocorrera por eu ter decidido a minha carreira futura trouxe-me um bocado de desespero. Comecei a dar os primeiros passos na construção daquilo que um dia hei de me tornar. E como saber se é o caminho certo? Aliás, como saber se, tomando ou não esse caminho, as coisas darão certo? Eu não faço idéia e se alguém souber, por favor, deixe um comentário com a resposta, mande uma mensagem ou escreva um livro a respeito. Ficaria profundamente agradecido.
Agora eu simplesmente empacoto meu nervosismo, deixo-o guardado em algum canto bem escondido e espero até os resultados das provas estiverem prestes a sair para colocá-lo em liberdade novamente. Até lá, sairei um pouco pra ver se encontro a tranquilidade em alguma esquina por aí. Quem sabe ela estava precisando de um tempo longe de mim, não é mesmo?!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Duas faces de uma mesma moeda

Indignou-se por completo. Como assim a sua melhor amiga traíra o namorado daquela forma? Como tivera coragem? "Uma garota tão bonita, tão inteligente, tão meiga e carinhosa...que diabos haveria ocorrido pra que ela cometesse tamanha besteira?", indagou-se. Por fim desistiu de seu aparentemente preciosíssimo silêncio e lançou-lhe algo para refletir:
- Você pelo menos pensou no que ele sentiria quando soubesse?
Silvana balançou a cabeça para os lados, espremendo levemente os lábios e encarando a outra moça.
- Não, Lúcia! Nessas horas nós não pensamos em nada. Só acontece, sabe? - desviou o olhar por breves instantes - A culpa veio depois mesmo.
- Como assim "a culpa veio depois"? - disse em voz alta, assustando-se um pouco com seu próprio tom - Será que o tempo com o outro não foi suficiente pra te fazer refletir sequer por um segundo? Faltou cérebro na hora ou os pensamentos simplesmente foram embora? Não é possível, meu Deus! - colocou as mãos em sua cabeça e deu meia volta, olhando para o teto do refeitório - Onde esse mundo vai parar?
- Nossa! Esperava um pouco mais de apoio, pelo menos!
Silvana falava com a cabeça abaixada, os olhos cheios de água e uma voz apertada que parecia não desejar sair de sua boca. Esforçou-se e conseguiu um argumento em sua defesa.
- Acontece com muita gente, Lúcia! Eu não fui a primeira e nem serei a última, te garanto!
- Ahhhh, - irritou-se por fim, virando-se rapidamente e encarando a amiga nos olhos - não me venha com essa, de forma alguma! Isso é sacanagem, safadeza, falta de caráter, coisa de quem...
- De quem o quê? - gritou Silvana - Hein?! Vai dizer que nunca errou com ninguém, que é uma santa? Você não é nem um pouco melhor que eu, minha filha, tenha certeza!
- Nesse ponto te garanto que sim! Nunca trairia alguém, nunca mentiria para uma pessoa que amo! Isso não se faz, Silvana, de forma alguma! Não esperava uma atitude dessas vinda de você. E, - prosseguiu, interrompendo com um gesto a amiga que já reiniciaria seu discurso - espero que você tenha decência suficiente pra contar ao Flávio tudo que aconteceu. Enquanto não fizer isso não espere nada de mim, entendeu?
Sem parar para aguardar uma resposta pegou sua bolsa e saiu da sala, deixando a amiga sozinha. Aquela poderia não ter sido a melhor coisa a se fazer, pensou, mas não havia outra opção. Seria totalmente errado compactuar com o erro de Silvana e, portanto, não devia, de maneira nenhuma, falar dócil e calmamente com ela. Tinha que mostrar rigidez, opinião forte e imutável. Era isso mesmo! Estava certíssima e veria futuramente os bons frutos de sua decisão.
No caminho para sua casa, sentada no banco do ônibus, abriu uma revistinha há muito guardada em sua bolsa, dessas que compramos pela simples vontade efêmera de gastar dinheiro, e começou a folheá-la. Uma pequena história chamou-lhe a atenção e decidiu lê-la por completo.

"As duas faces da moeda"
O homem caminhava pela rua calmamente quando, ao tentar pegar uma bala dentro de seu bolso, deixou cair uma porção de moedas no chão; estas, todavia, não foram muito longe, parando a poucos centímetros do pé do sujeito. Quando ia abaixar-se para recolhê-las uma voz o assustou.
- Não, não faça isso!
Olhou rapidamente para a fonte daquela fala e viu um senhor baixo, de cabelos grisalhos e barba mal feita. Vestia-se malmente, como se usasse roupas apenas para cobrir sua nudez, não as vendo como algo realmente importante.
- Essas moedas são suas? - perguntou o estranho.
- S-sim. São minhas. Acabei de deixá-las cair sem querer.
Ao terminar de responder, o rapaz já ia se agachando novamente, mas foi interrompido pela mão do indivíduo ao seu lado.
- Espere um momento, cavalheiro!
- Esperar pelo quê? - falou, começando a irritar-se com a situação. Queria somente recolher seus pertences e prosseguir seu caminho, sem que para tanto precisasse ser importunado por um velho chato e desconhecido.
- Vejamos...
O outro homem ajoelhou-se no chão e começou a olhar as moedas enquanto falava baixo consigo mesmo. As poucas pessoas ao redor olhavam a cena com certo repúdio, mas, para manter a classe, fingiam estar ocupadas demais com suas próprias vidas e, portanto, serem indiferentes à situação. O dono do dinheio estava prestes a largar tudo aquilo ali mesmo e ir embora, pensando que talvez aquele senhor fosse um mendigo querendo arranjar pretexto para roubá-lo. Quando ia dar o primeiro passo, entretanto, o estranho falou:
- Interessante! Muito interessante mesmo!
Recolheu todas as moedas e devolveu-as ao proprietário. Encarou-o por breves segundos, refletiu e pousou sua mão sobre o ombro do homem.
- Concederia-me a honra de sentar-se um momento comigo? - pediu gentil e simpaticamente - Todo esse ocorrido fez-me pensar sobre algo que até então eu não refletira a respeito...queria compartilhar meu pensamento com alguém. Que me dizes?

Nesse momento um homem que passava no corredor deixou acidentalmente sua bolsa esbarrar em Lúcia, desculpando-se imensamente em seguida. Ela não se importou, mas o incidente fizera a revista cair de suas mãos e agora não conseguia encontrá-la. Estava começando a ficar irritada quando recebeu um cutucão em suas costas.
- Senhora, creio que isso seja seu.
Ela olhou rapidamente para a mão da pessoa que lhe chamara a atenção e viu sua revista, ficando feliz e agradecendo entusiasticamente.
- Não foi nada. - disse o homem - Aliás, essa revista é excelente! Pena que muita gente não a compra ou, se o fazem, deixam-na jogada em uma gaveta ou bolsa sem jamais ler uma página sequer.
Lúcia sorriu ligeiramente tímida e concordou com a cabeça. Virou-se para a frente novamente, o coração quase imperceptivelmente acelerado, abriu na página que estava antes de toda aquela confusão e passou os olhos pelas linhas até encontrar onde parara. Olhou pela janela para certificar-se de que ainda faltava um pouco para chegar ao seu destino e retomou a leitura.

O homem hesitou por alguns instantes. E se aquele cara quisesse fazer-lhe algum mal? Coisa boa não poderia ser, pensou. "É melhor eu agradecer, ir embora e deixar esse maluco pra trás antes que aconteça o pior", disse a si mesmo.
- Obrigado, senhor, mas eu estou com um pouco de pressa. Se não se importa, eu gostaria de...
- Pois me importo, claro! Custar-te-ia um olho ou muito dinheiro doar um pouco do teu tempo para bater um papo com um pobre e sozinho velho? Que há convosco, pessoas atarefadas e impacientes, que ignoram a presença de tudo aquilo que aparentemente não vos diz respeito?
O homem não soube o que responder. Melhor era não estender o papo e sair adando rápido. Se a situação piorasse, certamente correria. Foi parado novamente, todavia.
- Far-te-ei uma pergunta somente. - disse o outro - Se não quiseres respondê-la poderás ir embora, mas caso digas algo quererei debater contigo a questão e terás de fazê-lo. Aceitas?
Não, não aceitava. Só não teve tempo de dizê-lo.
- Pois bem. Viste quando tuas moedas caíram, certo?
O rapaz nada disse.
- Bem, quem cala consente, deste modo tomo um "sim" como resposta a isso. Espero que saibas, logicamente, que todas as moedas possuem dois lados.
É claro que sabia. A pergunta o deixara ainda mais nervoso por sua obviedade.
- Mas a questão não é essa. Poderias me assegurar, sem sombra de dúvida, que suas moedas possuem dois lados diferentes? Poderias afirmar categoricamente que todas elas possuem um lado "cara" e outro "coroa" e que nesse monte em teu bolso agora não há uma sequer que tenha duas "caras" ou duas "coroas"?
- Claro que sim! - respondeu imediatamente o homem, visivelmente transtornado. Toda moeda tem necessariamente dois lados diferentes!
- Aceitaste nosso acordo, então, pois deste-me uma resposta. - falou, abrindo um leve e disfarçado sorriso. Prosseguirei meu raciocínio.

Com um sobressalto Lúcia percebeu que seu ponto chegara. Fechou rapidamente a revista, enfiou-a apressadamente na bolsa e levantou-se do banco em disparada, quase correndo até a porta do ônibus. Deu sinal quase em cima da hora; menos de cinco segundos depois o veículo parou, abriu suas portas e a moça desambarcou. Pensou na história, mas seus pensamentos foram invadidos pela lembrança de sua discussão com Silvana. Não sentiu remorso algum, apenas preocupou-se por não saber como estariam as coisas àquela hora.
Chegou em casa, cumprimentou sua mãe com um beijo estalado no rosto e foi logo para seu quarto. Planejava terminar a história sentada na cama e depois fazer qualquer coisa que lhe viesse à mente. Já havia escurecido, poucas pessoas passeavam pela rua e o silêncio parecia ter ordenado veementemente a prisão de todo e qualquer ruído. Lúcia colocou seus pertences sobre a mesa, pegou a revista e deitou-se, retomando a leitura de onde parara.

O senhor pegou o homem pelo braço e, puxando-o, foi com ele até um banco de madeira. "A essa altura não há nada a fazer senão escutá-lo, Deus. Eu mereço mesmo isso!", pensava consigo o outro, acompanhando o desconhecido a contragosto, sem esboçar, todavia, sombra de reação qualquer. Sentaram-se ambos.
- Bem, como eu dizia, - retomou o velho - talvez seja importante pensarmos sobre o fato de que não sabemos se definitivamente as suas moedas possuem ou não dois lados distintos. Diga-me, já paraste alguma vez para analisá-las?
- Não, nunca - respondeu, curta e grossamente. Queria que aquilo acabasse logo para poder prosseguir seu caminho e não ter que ser incomodado daquela forma.
- Pois façamo-no agora, então. Dê-me todas as moedas que deixaste cair, por favor.
Não houve hesitação em obedecer por parte do outro. Se o sujeito quisesse levar-lhe aqueles míseros reais que assim o fizesse, contanto que não lhe atormentasse mais. Entregou-as todas a ele e aguardou. Por longos segundos nada foi dito. O senhor apenas olhava-as, virava-as uma por uma e soltava um grunhido ao passá-las de uma mão a outra depois do que aparentava ser uma vistoria. 
- Muito bom! - exclamou, parecendo muito contente - Todas elas possuem dois lados, mas...

- Lúcia, minha filha, você vai jantar? - gritou a mãe da ponta da escada.
A mulher assustou-se.
- Não sei, mãe. Já falo com a senhora.
Ela não estava a fim de passar aquela noite em casa, mas não refletira sobre isso até aquele momento. Pensou em ligar para Júlio, seu namorado; a vontade sumiu, no entanto, quase imediatamente. Queria algo diferente dessa vez. Talvez um restaurante. Um bar. Uma casa de show. Uma balada! Era isso mesmo. Não precisava nem ficar até o fim. Poderia só dançar um pouco e depois voltar. Que mal poderia fazer? Além disso, ninguém precisava saber. O problema era contar à sua mãe. Tentou achar uma saída, embora sua mente não estivesse contribuindo da forma que deveria. Leu mais um pouco, ainda que sem vontade alguma.

...Todas elas possuem dois lados, mas nem sempre reparamos nisso. Quando as vemos de relance ou não temos contato direto acabamos por não analisá-las e, portanto, esquecemos dessa característica fundamental, inerente a todo...

Uma idéia atingiu-lhe a mente como um míssil. E se contasse toda a história de Silvana e dissesse que iria sair para vê-la, simplesmente a fim de verificar se a amiga estava bem? Era uma boa mentira. Sua mãe provavelmente acreditaria e ainda daria o maior apoio. Era isso mesmo!

...inerente a todo metal que chamamos de moeda. Podemos chegar a pensar que já as conhecemos por completo se não as observarmos com atenção e cautela.

Fechou a revista e foi se trocar. Desceu as escadas depois de aproximadamente quinze minutos, falou tudo que planejara, explicando os mínimos detalhes do ocorrido e, exatamente como esperava, ganhou a permissão sem restrições de ir ajudar sua colega.
Quase cinco horas se passaram até que ela finalmente retornasse. Estava exausta, absolutamente cansada. Não encontrando sua mãe foi-se ao seu quarto e em pouquíssimos minutos após deitar-se em sua cama adormeceu.
No dia seguinte acordou sentindo uma enorme dor de cabeça e lembrando de pouca coisa. Sabia apenas que saíra para uma balada e..."meu Deus!". A exclamação não poderia ter sido mais alta. Se estava se lembrando corretamente dos fatos, isso significava que...
- Não, não pode ser! Não foi isso que aconteceu!
Naquele momento sua mente estava a mil. Não conseguia encontrar uma forma de negar as imagens que lhe vinham à visão. Seu olhar estava perdido. Avistou a revista que deixara no quarto na noite passada e decidiu lê-la, numa tentativa desesperada de cessar os pensamentos. Notou que ainda não terminara a história da noite passada e decidiu retomá-la.

O homem não via utilidade alguma naquilo tudo. 
- Sim, meu senhor. Mas o que isso muda na minha vida?
- Não disse que haveria de ocorrer mudança alguma. Apenas queria explicar-te sobre a importância de estarmos atentos às moedas que carregamos conosco. Dificilmente encontraremos uma com lados iguais, mas nem por isso devemos deixar de procurá-las. Dessa forma descobrimos mais sobre as que possuem lados diferentes que ainda não nos foram mostrados. Nem tudo aparece, nem tudo é visto. Muitas coisas ficam encobertas e por isso esquecemos de nos questionar se elas estão lá ou não. Na maioria das vezes, haverá sempre duas faces de uma mesma moeda. A questão é se temos conhecimento disso ou não.
Sem dizer mais uma palavra, o velho largou todas as moedas na mão do outro homem e saiu caminhando como se nada tivesse acontecido. O rapaz, em choque, levantou-se e seguiu seu caminho. Não entendera nada do que o velho dissera e arrependeu-se por ter lhe dado atenção e perdido tanto tempo com uma besteira daquelas, mas talvez ainda fosse cedo demais para sua mente trabalhar. Afinal, eram apenas sete horas da manhã.

Júlia terminou a leitura com a sensação de que aquilo não lhe servira para nada. "Eu com um baita problema e perdendo tempo com essa baboseira", disse para si mesma. Seu coração queria saltar-lhe pela boca, mas ela fez força para segurá-lo dentro de si.
Eram 6h59 quando olhou o relógio antes de sair de casa para o trabalho. Ainda não pensara como contaria à sua amiga que na noite passada mentira para sua mãe, fora a uma balada, bebera além da conta e beijara vários estranhos. Talvez fosse melhor não contar...
Na sua pressa acabou por deixar cair várias moedas no chão, abaixando-se rapidamente para pegá-las. Lembrou-se vagamente do que lera na revista. Reforçou em sua mente a opinião de que fora totalmente inútil e continuou seu caminho.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Nossa, eu ainda existo!


Nossa, eu ainda tenho um blog! Meu Deus...quase esquecera completamente esse pequeno pedaço da minha vida. Muito provavelmente, depois de tanto tempo, deixá-lo-ia largado às traças se não gostasse ao menos um bocado de escrever, se fosse uma daquelas coisas que fazemos em momentos de ócio absoluto, quando impera a vontade fugaz, porém tremenda, de encontrar algo que abrevie a passagem do tempo. Entretanto, o "Capita a tutti..." certamente não o é; tampouco a prazerosa sensação de ter um teclado (ou lápis/caneta) e um monitor (ou papel) pode ser considerada assim. Por isso, depois de quase um mês e meio estou de volta! Agora, não é um simples retorno, mas sim O Retorno!
Isso mesmo...ACABOU! Soletrando: A-C-A-B-O-U! Depois de um ano e meio o técnico finalmente terminou! Tá, não completamente, ainda tenho uma prova de recuperação na terça (tá, esse post tá um pouquinho atrasado...era pra ter sido colocado aqui segunda, dia 6/11). Mas o TCC, o inferno maior que se pode ter, acabou! E pra melhorar ainda tiramos MB (nota máxima), o que me deixa ainda mais contente! Tá certo que os professores beberam um bocado pra falar que nosso trabalho estava muito bom, que fomos extremamente organizados (puff!), que o grupo estava bem integrado e todos participavam ativamente (puff!puff!) e que sempre fomos muito dedicados (puff!puff!puff!). Dessa forma, embora inimigo declarado do álcool, agradeço a ele por seus grandes feitos em minha vida, já que sem sua ajuda a banca provavelmente estaria sóbria, racional e exigente e nos daria um R (regular).
Claro, a vida não está infinitamente mais fácil depois disso, mas um peso enorme foi tirado de cima de mim. Agora tenho muitos outros problemas a resolver, que foram deixados de lado por causa dessa joça e, infelizmente, continuam a existir (é, ignorá-los não os faz ir embora). Rezo agora pra ter força e amor pra cada dia adiante e nunca mais passar por essa loucura que passei esse ano. E graças a Deus eu ainda existo, senão...bem, as consequências são totalmente dedutíveis nesse caso, não?! Quem lê, continue a ler, quem não o faz, comece agora. Espero trazer posts muito bons e poder compartilhar convosco umas pequenas partes da minha existência e do meu cotidiano.

Agradeço a Deus pelo amor, força, paz, luz e inteligência que me concedeu para vencer mais essa etapa, à minha família pelo apoio dado o tempo todo, aos amigos pelas descontrações e risadas absolutamente oportunas e, logicamente, ao Fê por ter sido compreensivo, amoroso, atencioso e prestativo sempre quando precisei. Valeu, gente, de verdade!